América Latina lidera revolução dos teleféricos urbanos com 520 milhões de passageiros

Gondola do sistema de transporte público chega à estação moderna em cidade andina. (Foto: cleantechnica.com)

Cidades montanhosas da América Latina encontraram solução engenhosa e de baixo custo para os desafios do transporte público. Os teleféricos urbanos exigem apenas torres e estações, com custos de construção entre 19 e 32 milhões de dólares por quilômetro.

O Mi Teleférico, na região metropolitana de La Paz e El Alto, é o caso mais emblemático. Operando em altitudes elevadas, incluindo a estação mais alta a 4 mil metros acima do nível do mar, o sistema transportou 520 milhões de passageiros em sua primeira década de operação.

Atualmente, o sistema movimenta cerca de 160 mil pessoas diariamente em suas dez linhas. Medellín, na Colômbia, também se destaca com uma rede de cinco linhas de teleférico, totalizando aproximadamente 12 quilômetros e atendendo 40 mil passageiros por dia.

Santiago, Cidade do México, Caracas e Guayaquil adotaram o modelo com resultados expressivos. Os benefícios vão além da economia na construção e operação, permitindo tarifas populares como os 43 centavos de dólar cobrados em La Paz.

O impacto social é profundo, conectando bairros pobres e isolados aos centros de emprego. Os teleféricos reduzem o tempo de deslocamento, as emissões de CO2 e os congestionamentos, preservando o tecido urbano com mínima pegada no solo.

As estações se transformam em polos de desenvolvimento econômico local. Microempreendedores e o comércio de rua são impulsionados no entorno das paradas, gerando renda e dinamizando a economia.

Há limitações operacionais, como interrupções por ventos fortes e capacidade fixa de transporte. A velocidade também é menor que a de um metrô subterrâneo, mas o balanço geral permanece positivo.

Em Londres, o teleférico sobre o Tâmisa funciona mais como atração turística de alto custo. A cidade já possui vasta malha de metrô, o que limita a utilidade do sistema como solução de mobilidade.

Cidades de outros continentes se inspiram no modelo latino-americano. Amsterdã, Salt Lake City e Los Angeles planejam implementar teleféricos urbanos, incluindo uma linha de 1,9 quilômetro ligando a Union Station ao Dodger Stadium.

A expansão global dos teleféricos comprova que soluções inteligentes de mobilidade podem nascer no Sul Global. Com custos menores, construção rápida e impacto social positivo, os sistemas se consolidam como alternativa eficiente e democrática para milhões de passageiros.

Segundo análise publicada pelo portal CleanTechnica.


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