A natureza desenvolveu uma estratégia engenhosa para proteger girinos de predadores. Pesquisadores da Universidade de Kyoto descobriram que a cauda alaranjada brilhante em alguns girinos funciona como escudo, desviando mordidas mortais de órgãos vitais.
O estudo, publicado no periódico Amphibia-Reptilia, analisou girinos da rã arborícola Dryophytes leopardus, nativa do leste do Japão. Quando expostos a ninfas de libélula, esses girinos ativam um mecanismo que transforma sua cauda em um chamariz colorido.
A equipe liderada pelo pesquisador Akihiro Noda montou quase 100 tanques para observar o comportamento predatório. Em cada tanque, oito girinos – quatro com cauda alaranjada induzida e quatro com cauda normal – foram colocados junto a uma ninfa da libélula Anax nigrofasciatus.
Os cientistas registraram em vídeo cada ataque das ninfas. As investidas foram classificadas em erro, mordida ou predação bem-sucedida. A análise mostrou que as ninfas atacavam com mais frequência as caudas alaranjadas.
Esses ataques direcionados à cauda apresentavam taxa de fracasso significativamente maior. O resultado indica que a coloração vibrante atua como isca protetora, redirecionando o predador para longe da cabeça e dos órgãos vitais.
O mecanismo não se limita a sacrificar uma parte descartável do corpo. Segundo Noda, a cauda alaranjada pode interferir na precisão do predador através do efeito ‘motion dazzle’.
O movimento da cauda alaranjada dificulta que as ninfas de libélula miram com exatidão, explicou Noda. A combinação de cores contrastantes confunde a percepção de velocidade e direção da presa, reduzindo a eficácia do ataque.
O coautor Katsutoshi Watanabe destacou o trabalho minucioso da pesquisa. A análise quadro a quadro de horas de filmagem exigiu esforço exaustivo, mas resultou em descobertas claras e interessantes.
O estudo abre caminho para investigações sobre a eficácia das caudas alaranjadas contra outros predadores. Também estimula pesquisas sobre os mecanismos bioquímicos que produzem essa coloração, enriquecendo a compreensão da plasticidade fenotípica como ferramenta evolutiva.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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