Pesquisa recente de modelagem computacional indica que bactérias com quiralidade molecular invertida enfrentariam grandes dificuldades para se estabelecer fora de laboratórios. O estudo desafia alertas anteriores sobre os riscos da chamada vida espelhada.
Liderado por Ricard Solé, da Universitat Pompeu Fabra em Barcelona, o trabalho simulou o comportamento de organismos espelhados na biosfera terrestre. Os modelos apontaram que esses seres só conseguiriam digerir alimentos com a mesma quiralidade, exigindo produção industrial contínua de nutrientes específicos.
Segundo reportagem do New Scientist, a pesquisa avaliou se micróbios espelhados poderiam se estabelecer em ambientes naturais. Solé argumenta que a biodiversidade terrestre funcionaria como barreira natural contra a invasão desses organismos sintéticos.
O estudo, publicado em servidor de preprints, gerou reação imediata de especialistas. Vaughn Cooper, da Universidade de Pittsburgh, afirmou que nutrientes não quirais poderiam sustentar o crescimento inicial desses micróbios.
Cooper destacou que as células espelhadas evoluiriam rapidamente, criando uma segunda árvore da vida. Ele refutou a ideia de que a biodiversidade seria proteção suficiente, citando exemplos de ecossistemas vulneráveis a invasores sem predadores naturais.
Kate Adamala, da Universidade de Minnesota, reconheceu que a oferta de alimentos com quiralidade compatível seria limitante. Ela ponderou, porém, que esses organismos poderiam produzir seu próprio alimento por fotossíntese ou aproveitar moléculas quirais naturais.
Adamala considerou difícil, mas não impossível, a criação de organismos com tais capacidades. Solé rebateu afirmando que sua equipe considerou essas possibilidades, mas manteve que as restrições ecológicas permaneceriam severas.
Filippa Lentzos, do King’s College de Londres, defendeu que a vida espelhada é uma preocupação plausível para o futuro. Ela argumentou que o foco deve ser uma governança preventiva, com regras claras para pesquisas de risco.
A comunidade científica permanece dividida entre os que veem barreiras ecológicas como proteção suficiente e os que alertam para consequências imprevisíveis. O debate expõe a falta de mecanismos globais para regular pesquisas com potencial de reconfigurar os fundamentos da vida no planeta.
Com informações de NEWSCIENTIST.
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