O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o senador Flávio Bolsonaro de trair a soberania nacional ao solicitar que os Estados Unidos classificassem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A crítica ocorreu após o parlamentar, pré-candidato à Presidência, reunir-se com o presidente Donald Trump na Casa Branca.
O encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump resultou na inclusão do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados pelo Departamento de Estado americano. A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, intensificando a pressão de Washington sobre a segurança pública brasileira.
Lula detalhou sua própria reunião de três horas com Trump, na qual entregou quatro documentos ao mandatário americano. O presidente brasileiro destacou que Rubio não participou do encontro, sugerindo que o chefe da diplomacia dos EUA já articulava com o senador bolsonarista uma medida de interferência nos assuntos internos do Brasil.
Em discurso em Laranjeiras, Sergipe, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro não tem vergonha de trair a pátria ao pedir intervenção americana. O presidente questionou a motivação da articulação internacional, insinuando que a medida não seria aplicada contra milicianos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A nova classificação americana permite sanções contra indivíduos e empresas ligadas às facções, com possíveis impactos na economia brasileira. Aliados de Flávio Bolsonaro celebraram a medida, usando o tema para criticar a gestão atual na área de segurança pública.
O Palácio do Planalto divulgou nota oficial criticando a articulação da família Bolsonaro com os EUA. O texto alerta que a medida unilateral pode enfraquecer o combate ao crime e colocar em risco sistemas como o PIX, criado pelo Banco Central.
A nota do governo destaca que medidas não negociadas podem gerar ações que ameacem a vida de cidadãos inocentes. O Planalto também ressaltou a aprovação recente de uma lei que aumenta penas para facções e milícias, podendo chegar a 80 anos de prisão.
Segundo reportagem do portal G1, o governo avalia que a medida abre margem para ações como intervenção militar no Brasil, algo rechaçado pelo Planalto.
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