Cientistas da Universidade Stanford identificaram um mecanismo celular que explica a deterioração do cérebro com a idade e sua vulnerabilidade a doenças como o Alzheimer. A pesquisa, publicada na revista Science, mostra que ribossomos começam a travar e colidir durante a produção de proteínas, gerando falhas que comprometem o funcionamento neuronal.
O problema ocorre na fase de alongamento da tradução, quando os ribossomos percorrem as fitas de RNA mensageiro para montar proteínas. Nos cérebros envelhecidos, esses motores celulares param no meio do trajeto ou colidem, criando engarrafamentos moleculares que reduzem a produção de proteínas saudáveis e aumentam a formação de agregados tóxicos.
A equipe liderada pela professora Judith Frydman utilizou o peixe killifish turquesa como modelo animal. Esses peixes possuem ciclo de vida acelerado e desenvolvem problemas relacionados à idade em poucos meses, permitindo observar processos que levariam anos em outros modelos.
A pesquisa comparou peixes jovens, adultos e velhos, analisando cada componente da maquinaria de produção proteica nas células cerebrais. O foco foi a proteostase, sistema de equilíbrio que as células usam para construir, manter e descartar proteínas corretamente, evitando aglomerados prejudiciais.
Segundo reportagem do Science Daily, os achados explicam o desacoplamento proteína-transcrito, fenômeno em que mudanças nos níveis de RNA mensageiro não correspondem às alterações nas proteínas. Isso indica que a fábrica celular perdeu sincronismo entre o manual de instruções e o produto final.
O coautor Jae Ho Lee destacou que mudanças na velocidade dos ribossomos têm impacto profundo na homeostase proteica. Muitas proteínas afetadas estão envolvidas na manutenção da estabilidade do genoma e na integridade celular, sugerindo que o colapso desse sistema desencadeia disfunções características do envelhecimento.
A equipe investiga se a disfunção ribossômica contribui diretamente para doenças neurodegenerativas humanas. Frydman afirmou que compreender por que a produção de proteínas perde fidelidade com a idade fornece base para explicar o mal funcionamento de outros sistemas.
A descoberta abre caminho para estratégias que ataquem a raiz molecular do declínio cognitivo. Os pesquisadores estudam como esses mecanismos influenciam a longevidade cerebral em múltiplas espécies, buscando restaurar a fluidez do tráfego ribossômico como alvo terapêutico contra o Alzheimer.
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