PF formaliza representação contra Flávio Bolsonaro por repasses de R$ 61 milhões do Banco Master

O cerco jurídico ao clã Bolsonaro ganhou mais um capítulo comprometedor nesta semana. A Polícia Federal encaminhou à Procuradoria-Geral da República uma representação que investiga os vínculos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no financiamento do filme biográfico ‘Dark Horse’.

O documento, motivado por mensagens e negociações reveladas pela imprensa, foi solicitado por parlamentares que cobram uma apuração detalhada sobre a conduta do pré-candidato à Presidência da República. O material passará por análise preliminar antes que a PGR decida se abre um procedimento formal.

Segundo a apuração do Brasil 247, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro entre fevereiro e maio de 2025. Os pagamentos foram distribuídos em seis operações financeiras distintas, um volume de recursos que por si só levanta suspeitas sobre a origem e a finalidade do dinheiro.

A Procuradoria avaliará agora se esses valores têm relação direta com o Banco Master, instituição que já está sob investigação por supostas fraudes. Uma vez confirmado esse vínculo, o caso ficará sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que já conduz investigações ligadas à instituição financeira.

Uma das mensagens citadas na representação teria sido trocada em 16 de novembro de 2025, véspera da primeira prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero. A cronologia indica que as tratativas ocorreram num momento de iminente colapso jurídico para Vorcaro, sugerindo que o senador manteve contato com alguém já sob fortes suspeitas.

O próprio Flávio Bolsonaro confirmou na semana passada que se encontrou com Vorcaro após a detenção do empresário, quando este já usava tornozeleira eletrônica. O senador tentou justificar o encontro dizendo que buscava “botar um ponto final” na história e que, se soubesse da gravidade, teria procurado outro investidor.

A declaração expõe uma contradição constrangedora: um pré-candidato ao Palácio do Planalto admite negociar pessoalmente com um investigado por fraudes bancárias, mesmo depois de o escândalo ter vindo a público. Os repasses milionários, realizados num período em que Vorcaro já acumulava suspeitas, aprofundam o desgaste político do herdeiro do bolsonarismo.

O caso Dark Horse não é um fato isolado. Ele se soma a outras investigações que enfraquecem a pré-campanha de Flávio e revelam um padrão de financiamento opaco em torno da família Bolsonaro, que opera à margem dos controles tradicionais de campanha.

Enquanto a PGR avalia os próximos passos, o presidente Lula vê seu principal adversário imerso em mais uma crise de credibilidade. O que antes era uma aposta da direita para 2026 vai se transformando num fardo que arrasta o projeto eleitoral do bolsonarismo para o terreno pantanoso do dinheiro não declarado.


Leia também: Áudios do Intercept reforçam denúncias de Pimenta sobre esquema envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master


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Redação:
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