Uma força ligada às Forças de Apoio Rápido (RSF) matou pelo menos 27 pessoas, incluindo idosos, em vilarejos a oeste de Bara, no estado do Cordofão do Norte. A denúncia foi feita pela Rede de Médicos do Sudão, que classificou o episódio como crime contra civis desarmados em áreas sem presença militar.
O ataque ocorreu na região de al-Murrah durante o feriado muçulmano de Eid al-Adha. A organização médica afirmou que as vítimas eram moradores locais e que não havia operações militares na área no momento da ação.
O Sudão enfrenta uma guerra civil desde abril de 2023, quando confrontos entre o exército sudanês e a RSF se intensificaram. O conflito já causou centenas de milhares de mortes e deslocou milhões de pessoas, configurando uma das piores crises humanitárias globais.
A região do Cordofão tornou-se um dos principais focos de combate, com registros de ataques aéreos e uso de drones. As RSF e grupos aliados controlam áreas estratégicas em Darfur e no Cordofão, incluindo regiões ricas em petróleo e ouro.
A Rede de Médicos publicou nota condenando o ataque como violação do direito internacional humanitário. O comunicado alertou que esses crimes agravam a situação catastrófica enfrentada pela população civil em meio ao conflito.
O massacre ocorreu simultaneamente à divulgação de relatório apoiado pela ONU sobre a crise alimentar no país. O documento indica que mais de 40% da população sudanesa enfrenta fome aguda, com quase 19,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar severa.
Agências humanitárias classificam a crise como uma das mais graves do mundo, agravada pelos deslocamentos forçados e pela paralisação da produção agrícola. A RSF nega sistematicamente as acusações de violações contra civis em áreas sob seu controle.
A Rede de Médicos do Sudão pediu à comunidade internacional que condene as violações e atue para proteger os civis. O grupo exige que a liderança da RSF cesse os ataques contra áreas residenciais e respeite o direito humanitário.
O conflito no Sudão envolve disputas pelo poder e controle de recursos naturais, com a população civil como principal vítima. Ativistas criticam a falta de resposta internacional robusta e apontam duplo padrão na aplicação do direito internacional.
A guerra persiste com sucessivos cessar-fogos violados, enquanto a situação humanitária se deteriora. Milhões de pessoas dependem de ajuda externa, que chega de forma insuficiente e irregular às áreas afetadas.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
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