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Tiro pode sair pela culatra: ofensiva de Flávio contra PCC nos EUA ameaça aliados da Faria Lima

0 Comentários🗣️🔥 A pressa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em associar sua imagem à decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pode produzir o efeito oposto ao desejado. A avaliação é do professor Dawisson Belém Lopes, especialista em política internacional e comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta […]

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A pressa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em associar sua imagem à decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pode produzir o efeito oposto ao desejado. A avaliação é do professor Dawisson Belém Lopes, especialista em política internacional e comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta o risco de sanções financeiras respingarem em aliados do pré-candidato no mercado financeiro e na política.

Segundo reportagem da BBC News Brasil, o professor reconhece que Flávio pode ganhar tração no tema da segurança pública — área em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou sua pior avaliação em pesquisa Datafolha recente. Mas o cenário tem armadilhas que o senador não controla e que podem se voltar contra seu próprio campo político.

O encontro de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dois dias antes do anúncio, acelerou a decisão americana. No dia seguinte, o senador reuniu-se com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fechando o ciclo que resultou na classificação das facções como ameaça à segurança americana.

A partir de 5 de junho, Washington poderá impor sanções a quem mantenha qualquer relação com o PCC ou o Comando Vermelho — inclusive sem saber. Para o professor da UFMG, esse é o ponto em que o ‘tiro pode sair pela culatra’ contra o próprio campo bolsonarista.

O professor afirma que sanções financeiras podem atingir figuras ligadas à política e investidores que mantiveram interações com as facções. Investigações da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público já revelaram esquemas de lavagem de dinheiro do PCC usando fundos de investimento e empresas financeiras que operam na Faria Lima.

A operação deflagrada no ano passado estimou que o esquema movimentou pelo menos R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Essas figuras, que em sua maioria apoiam a pré-candidatura do senador à Presidência, podem se voltar contra ele se forem atingidas pelas sanções.

Na esfera política, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), foi preso sob suspeita de vazar informações sigilosas e obstruir investigações contra facções como o Comando Vermelho. O caso mostra como as conexões entre o crime organizado e agentes políticos fluminenses são reais e documentadas.

Lopes avalia que a medida pode ser lida como ‘entreguismo’ — uma renúncia de soberania que Lula, mais experiente em debates, pode usar contra o adversário. ‘Essa medida pode ser vista como algo contra o Brasil, não a favor, porque prevê uma renúncia de soberania’, analisa o professor.

O professor lembra ainda que Trump já tentou usar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aplicando a Lei Magnitsky para dificultar sua relação com o sistema financeiro americano. Na ocasião, os bancos brasileiros resistiram à pressão e se recusaram a quebrar negócios com Moraes.

Foram instruídos pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central a não ceder. ‘O Brasil já está vacinado contra esse tipo de pressão’, diz Lopes, acrescentando que a relação entre Brasília e Washington hoje é ‘bastante civilizada’ e o nível de tensão, ‘bastante controlado’.

Lopes cita a experiência do México, que teve seus cartéis classificados como terroristas por Trump no ano passado. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, atendeu a parte das demandas de Washington e afastou rapidamente qualquer retaliação mais profunda.

Se no México, que tem os EUA como destino da maioria de suas exportações, o impacto foi modesto, no Brasil a tendência é ser ainda menor. A China faz mais do que o dobro de comércio com o Brasil em comparação com os Estados Unidos, o que reduz a alavanca de pressão americana sobre o país.

O professor conclui que, se as sanções forem brandas como esperado, Flávio pode surfar o tema da segurança pública sem sofrer o desgaste de ver aliados atingidos. Mas o risco de o movimento se voltar contra o próprio campo bolsonarista é real — e documentado.


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