Trump impõe condições duras e Irã rejeita confiança em acordo sobre Estreito de Ormuz

O presidente Donald Trump discursa durante reunião no Salão Oval, com bandeiras americanas ao fundo. (Foto: aljazeera.com)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que tomará uma decisão final sobre um possível acordo com a República Islâmica do Irã após reunião na Sala de Situação da Casa Branca. As condições apresentadas por Washington incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, a eliminação do urânio enriquecido iraniano e garantias de que Teerã não desenvolverá armas nucleares.

O governo iraniano rejeitou qualquer ideia de acordo fechado. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerã avaliará qualquer pacto apenas por ações concretas, não por promessas. A desconfiança mútua persiste como principal obstáculo para encerrar o conflito de três meses.

Segundo reportagem da Al Jazeera, Trump detalhou exigências em sua plataforma Truth Social. Entre elas, a abertura do Estreito em ambas as direções sem cobrança de taxas e a remoção de minas remanescentes. Navios retidos devido ao bloqueio naval americano poderão iniciar o retorno, segundo o presidente.

Fontes da Casa Branca indicaram à Al Jazeera que um memorando de entendimento provisório foi alcançado para estender o cessar-fogo por 60 dias e permitir negociações formais. Trump, no entanto, ainda não assinou o documento. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou que qualquer acordo com os Estados Unidos tenha sido finalizado.

Em declaração à televisão estatal iraniana, Baghaei destacou que Teerã busca encerrar a guerra, não negociar seu programa nuclear. A gestão do Estreito de Ormuz, afirmou, deve ser decidida exclusivamente pelo Irã e Omã, sem interferência externa.

Ghalibaf reforçou a posição iraniana ao afirmar que Teerã não confia em garantias verbais, apenas em ações concretas. Nenhuma medida será tomada antes que a outra parte demonstre compromisso, declarou em publicação nas redes sociais.

A agência de notícias estatal iraniana Fars informou, citando fontes, que o acordo com os EUA estava em fase final de análise. Nenhuma decisão definitiva havia sido tomada. As mesmas fontes esclareceram que o memorando não inclui disposições sobre a destruição de materiais nucleares iranianos. Os arranjos para reabertura do Estreito podem envolver monitoramento e inspeção de navios.

A postura rígida de Trump, que desconsidera as demandas iranianas por alívio de sanções e reconhecimento de soberania, gerou dúvidas sobre a viabilidade do acordo. Ghalibaf alertou que o vencedor de qualquer pacto será aquele mais preparado para um eventual conflito futuro.

A guerra de três meses começou após escalada de tensões no Oriente Médio, com os EUA impondo bloqueio naval que afetou a economia iraniana. O Irã manteve sua capacidade de defesa e resistiu às pressões militares.

Enquanto Trump anunciava suas condições, a Casa Branca já havia sinalizado anteriormente que um acordo estava próximo, mas recuou. A falta de credibilidade no processo persiste, e a comunidade internacional aguarda se a decisão final do presidente americano levará a um entendimento ou a mais confronto.


Leia também: Irã reabre Estreito de Ormuz durante trégua, mas Trump ameaça confiscar urânio enriquecido à força


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