União Europeia lança plano de R$ 706 bilhões para recuperar soberania em semicondutores

Uma mão enluvada segura um chip de computador, ilustrando o tema da tecnologia de semicondutores. (Foto: scmp.com)

A União Europeia prepara um novo plano de € 120 bilhões, cerca de R$ 706,7 bilhões, para impulsionar sua indústria de semicondutores. O Chips Act 2.0, revelado em documentos preliminares obtidos pela Bloomberg, será apresentado aos legisladores europeus em breve.

A Comissão Europeia reconhece que a legislação original de 2023 não atingiu as metas, com a participação da UE no mercado global de chips ficando abaixo dos 20% esperados. O novo plano busca fortalecer a demanda local por componentes fabricados no continente.

Um dos projetos centrais é a construção de uma fábrica de semicondutores para inteligência artificial, capaz de produzir chips avançados de três nanômetros. O empreendimento, orçado em € 30 bilhões, será financiado pela Comissão Europeia, governos nacionais e empresas privadas.

A Comissão Europeia atuará como intermediadora entre setores estratégicos, como telecomunicações, defesa e indústria automotiva, e fornecedores de semicondutores. O objetivo é desenvolver tecnologias adaptadas às necessidades específicas de cada área.

Os investimentos iniciais sairão dos programas Horizon Europe e Digital Europe Programme. O financiamento posterior dependerá da aprovação do próximo orçamento do bloco, ainda em negociação.

A nova legislação permitirá à Comissão Europeia classificar projetos de semicondutores como estratégicos. Isso poderá barrar a participação de empresas de fora da UE, exceto em casos autorizados.

A proposta também prevê a redução de processos burocráticos para iniciativas críticas ao ecossistema tecnológico europeu. O objetivo é acelerar prazos que, no modelo anterior, atrasaram investimentos.

O Chips Act 2.0 integra a estratégia europeia de soberania tecnológica, visando reduzir a dependência de tecnologias chinesas e estadunidenses. O plano priorizará produtos fabricados na UE, incluindo serviços de computação em nuvem.

A legislação original flexibilizou restrições de gastos e ampliou investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No entanto, não impediu que o bloco perdesse terreno para os Estados Unidos e países asiáticos na corrida por chips de inteligência artificial.

A nova versão corrige o enfoque anterior, que era orientado pela oferta. O Chips Act 2.0 prioriza medidas voltadas para a demanda, buscando criar um mercado interno robusto que justifique os investimentos previstos.

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