Cientistas chineses argumentam que ambientes adversos, não climas quentes, impulsionam a criatividade humana primitiva

Ilustração de hominídeos primitivos em seu habitat, demonstrando comportamentos sociais e uso de ferramentas, em linha com descobertas arqueológicas sobre a criatividade humana em ambientes adversos.

Arqueólogos na China central desafiaram diretamente a crença de longa data de que os ancestrais mais antigos da humanidade atingiram seu pico criativo durante climas quentes e hospitaleiros.

Uma equipe de pesquisadores na província de Henan estudou por mais de uma década um sítio de abate de animais com 146.000 anos, habitado por Homo juluensis, uma espécie humana extinta que viveu há cerca de 300.000 anos no leste da Ásia. A descoberta de ferramentas notavelmente inventivas sugere que esses primos antigos do Homo sapiens foram impulsionados à inovação tecnológica por condições ambientais desafiadoras.

Yuchao Zhao, autor principal de um novo artigo publicado no Journal of Human Evolution, afirmou que as pessoas frequentemente imaginam a criatividade como algo que floresce em bons tempos. Descobrir que essas ferramentas de pedra foram feitas durante uma era glacial severa conta uma história diferente. Tempos difíceis podem forçar a adaptação.

Segundo a pesquisa, essas ferramentas indicam que humanos antigos no leste da Ásia durante o Pleistoceno Médio (cerca de 120.000 a 300.000 anos atrás) eram mais avançados tecnologicamente do que se assumia anteriormente. Até agora, acreditava-se amplamente que humanos nesta região ficavam atrás de suas contrapartes na África e Europa.

As ferramentas de pedra, embora simples, foram criadas batendo pedras menores contra maiores em um processo que teria exigido planejamento e o eventual desenvolvimento de uma técnica de fabricação, segundo os cientistas.

A equipe indicou que as pedras foram moldadas em várias formas, sugerindo que as ferramentas não foram criadas simplesmente esmagando rochas juntas; os fabricantes entendiam como os materiais interagiriam.

Zhao explicou que a lógica subjacente deste sistema e as habilidades cognitivas que reflete mostram semelhanças importantes com tecnologias do Paleolítico Médio frequentemente associadas aos Neandertais na Europa e com ancestrais humanos na África, sugerindo que o pensamento tecnológico avançado não estava limitado à Eurásia Ocidental.

O Homo juluensis é um primo extinto proposto dos humanos modernos. Se existiram, cientistas acreditam que ocuparam grande parte do leste da Ásia. Esta espécie pode ter pertencido ao que é chamado de muddle of the middle, termo usado para definir os vários tipos de humanos à medida que o Homo erectus gradualmente evoluiu para Homo sapiens.

Se existiram, o Homo juluensis teria sido caracterizado por seus crânios baixos e largos, que eram particularmente grandes e pareciam conter um cérebro significativo. Há também evidências de que esta espécie pode ter interagido com o Homo sapiens.

O sítio, conhecido como Lingjing, é considerado o local onde o Homo juluensis abatia animais, como cervos, após caçadas bem-sucedidas, indicando que um número significativo de ossos também estava presente na área.

Ao analisar os ossos, cientistas determinaram que o sítio tem cerca de 20.000 anos a mais do que se estimava anteriormente, um período que coincidiu com um congelamento significativo. Isso sugere que os habitantes suportaram um ambiente severo e frio.

Zhao declarou que costumavam pensar que essas ferramentas foram feitas há 126.000 anos, durante um período interglacial quente, mas com base nas novas datas sugeridas pelos cristais, algumas dessas ferramentas foram realmente produzidas há 146.000 anos, durante um período glacial severo e frio.

A evidência desafia um truísmo histórico de que períodos de abundância alimentam a inovação, como visto em momentos decisivos como as Revoluções Industrial ou Digital. Esta ideia sugere que o luxo do tempo e, posteriormente, do dinheiro, possibilita avanços sociais significativos.

Contudo, a necessidade também pode acender a inovação. O Homo juluensis pode ter buscado vários meios para melhorar a eficiência do abate para sobrevivência. Esta necessidade existencial provavelmente estimulou soluções criativas que excederam o que se pensava possível para aquela era.

Zhao concluiu: Altogether, this research reveals a much richer story of innovation, intelligence, and human evolution in East Asia.

Material de referencia publicado por SCMP.

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