Há aproximadamente 350 mil anos, o centro da Ilha Norte da Nova Zelândia apresentava uma paisagem radicalmente diferente do terreno montanhoso atual. Imensas florestas de faias e podocarpos cobriam a região durante um período glacial rigoroso.
A supererupção Whakamaru, uma das maiores já documentadas no planeta, ocorreu na Zona Vulcânica de Taupō. Um novo estudo publicado no portal Phys.org reconstruiu a sequência desse evento cataclísmico.
A pesquisa, conduzida por Lisa Lock, Andrew Zinin e colaboradores, analisou mais de 30 sítios espalhados pela Nova Zelândia e pelo sul do Oceano Pacífico. Os cientistas utilizaram a assinatura química única do vidro vulcânico para correlacionar depósitos dispersos por distâncias imensas.
No início da erupção, um grande lago ocupava o centro da Ilha Norte, semelhante ao atual Lago Taupō. Quando o magma atingiu a superfície e entrou em contato com a água, interações violentas impulsionaram a fase inicial do evento.
O lago foi gradualmente destruído e soterrado à medida que a erupção avançava. O sistema transitou para um estilo de vulcanismo mais seco, acionando uma sequência em cascata envolvendo cinco corpos magmáticos distintos.
A quantidade de cinzas gerada impressiona. A maior parte da Ilha Norte e a distante Ilha Chatham foram cobertas por 30 centímetros ou mais de material vulcânico. Nas áreas próximas à fonte eruptiva, os depósitos alcançaram até 4,5 metros de espessura.
Fluxos piroclásticos densos e incandescentes deixaram camadas de rocha com centenas de metros de espessura. O estudo estima que a erupção liberou aproximadamente 2.300 quilômetros cúbicos de material vulcânico.
Esse volume seria suficiente para soterrar toda a Nova Zelândia sob nove metros de detritos se distribuído uniformemente. A erupção Whakamaru é classificada no nível máximo 8 do Índice de Explosividade Vulcânica.
A Zona Vulcânica de Taupō permanece como um dos sistemas vulcânicos mais ativos da Terra. Ao longo de sua história, registrou quatro supererupções conhecidas, sendo a mais recente a erupção Ōruanui, que formou o Lago Taupō há cerca de 25.300 anos.
Compreender esses vulcões é essencial para a preparação contra futuras erupções. A pesquisa, que contou com contribuições de Simon Baker e Colin Wilson, lança luz sobre os mecanismos das supererupções e a acumulação de magma abaixo da superfície.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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