Governo Lula descarta diálogo com Trump e prioriza análise de impactos financeiros da designação terrorista

O ex-presidente Lula e Donald Trump em montagem com bandeiras do Brasil e EUA. (Foto: metropoles.com)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou buscar diálogo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no curto prazo para reverter a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

A orientação do Palácio do Planalto é que o Itamaraty e outros ministérios examinem detalhadamente os efeitos da medida antes de qualquer contato com Washington. A estratégia concentra-se em analisar a repercussão de medidas semelhantes adotadas pelos EUA em outros países, com foco nos impactos financeiros.

Diplomatas apontam o caso do México como referência, onde três instituições financeiras foram sancionadas por suposto envolvimento na lavagem de dinheiro para cartéis designados como terroristas. As instituições mexicanas ficaram proibidas de realizar transações com bancos norte-americanos, um precedente que acende alerta no governo brasileiro.

O nome do jogo é o interesse nacional, afirmou um diplomata sob reserva. Isso significa proteger emprego e renda, pois sanções econômicas podem afetar esses pilares.

A decisão do Departamento de Estado americano foi anunciada sem comunicação prévia ao Brasil, pegando o governo Lula de surpresa. Um ministro do Planalto ponderou que não haveria motivo para buscar a gestão Trump neste momento, devido à ausência de aviso diplomático antes da medida.

O mal-estar é agravado pelo histórico recente. O presidente brasileiro esteve na Casa Branca no início de maio, quando entregou documentos propondo parcerias no combate ao crime organizado e foi ignorado, segundo apuração da coluna de Igor Gadelha no Metrópoles.

Diante desse cenário, a reação do governo se limitará, por ora, à nota oficial já emitida pelo Planalto e às declarações do presidente. Lula criticou o senador Flávio Bolsonaro, apontando conexões políticas que considera relevantes no contexto da decisão americana.

A avaliação no Planalto é de que a designação do PCC e do CV como grupos terroristas pode ter repercussões econômicas profundas. O temor é que afete diretamente a segurança jurídica das instituições financeiras brasileiras, isolando bancos locais do sistema financeiro internacional, como ocorreu no México.

O Itamaraty trabalha para mapear todos os possíveis desdobramentos antes de definir uma estratégia de interlocução com Washington. A prioridade é evitar sanções que prejudiquem a economia nacional.


Leia também: Lobby de Eduardo Bolsonaro leva EUA a classificar PCC e CV como organizações terroristas


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.