Segundo a Asia Times, o Paquistão tem desempenhado papel de intermediário entre Washington e Teerã em meio à guerra envolvendo o Irã, mas há dúvidas sobre sua capacidade de entregar um acordo de paz duradouro.
O Field Marshal Asim Munir recebeu em Islamabad enviados americanos e diplomatas iranianos. Segundo a fonte, o Paquistão compartilha uma fronteira de 900 quilômetros com o Irã e mantém laços próximos com Riad.
Na era da segunda presidência de Donald Trump, o Paquistão cultivou uma relação pessoal entre Munir e o presidente americano, que teria passado a chamar o marechal de campo de favorite fighter.
O cessar-fogo de April 8 que pausou a campanha conjunta EUA-Israel contra o Irã, após os ataques que mataram o Ayatollah Khamenei, contou com participação paquistanesa. Oficiais paquistaneses levaram a proposta americana de quinze pontos a Teerã em março e sediaram as Islamabad Talks em abril.
Segundo a fonte, a proposta americana exige o fim do programa nuclear do Irã, limites ao arsenal de mísseis, a reabertura de Hormuz, restrições aos proxies regionais e alívio condicional de sanções.
De acordo com avaliações militares americanas, o Irã usou o cessar-fogo para restaurar o acesso a trinta de seus trinta e três sítios de mísseis ao longo do Estreito de Hormuz e reconstruiu seu estoque de mísseis para aproximadamente setenta por cento dos níveis pré-guerra.
Segundo a análise, o Paquistão está simultaneamente lutando uma guerra na fronteira afegã, gerenciando uma crise energética agravada pela interrupção em Hormuz e lidando com um público que não deseja particularmente que seu governo atenda aos interesses de Washington contra um vizinho muçulmano.
A fonte conclui que o Paquistão desempenha o papel de mensageiro com habilidade, mas a distância estrutural entre as demandas maximalistas de Washington e as linhas vermelhas de Teerã não pode ser superada apenas por mediação.
Fonte: Asia Times