Pesquisadores do Scripps Research Institute, na Califórnia, identificaram um mecanismo molecular que funciona como interruptor da inflamação cerebral no Alzheimer. O estudo, publicado na revista Cell Chemical Biology, revela que a proteína STING sofre uma modificação química que a deixa permanentemente hiperativa.
A equipe liderada pelo neurologista Stuart Lipton descobriu que o aminoácido cisteína 148 da STING passa por um processo chamado S-nitrosilação. Essa alteração, dependente de óxido nítrico, foi observada em cérebros humanos com Alzheimer, em culturas celulares e em modelos animais da doença.
Os cientistas demonstraram que a S-nitrosilação da STING desencadeia um ciclo vicioso de inflamação. Proteínas como beta-amiloide e alfa-sinucleína estimulam a produção de óxido nítrico, que modifica a STING e amplifica a resposta inflamatória.
Ao criar uma versão da proteína sem o ponto de modificação e testá-la em camundongos, os pesquisadores reduziram a inflamação cerebral. As sinapses, conexões entre neurônios, foram protegidas, preservando funções cognitivas.
Lipton destacou que o alvo permite silenciar a hiperativação patológica da STING sem comprometer sua função imunológica normal. A equipe agora desenvolve moléculas para bloquear especificamente a cisteína 148, com testes pré-clínicos previstos para o futuro.
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