A palavra ‘biodegradável’ tornou-se uma das mais reconfortantes no universo das embalagens, aparecendo em copos de café e sacolas com a promessa de um destino ambientalmente amigável. Conforme aponta uma reportagem do
Em laboratório, é possível simular aterros, composteiras domésticas e instalações industriais para entender em quais condições um material se decompõe melhor. Um produto que se desintegra rapidamente em uma usina de compostagem industrial pode persistir por anos no oceano ou em um aterro comum.
Os sistemas de compostagem industrial mantêm temperaturas elevadas, aeração controlada e umidade consistente, criando condições ideais para a biodegradação. Já as composteiras domésticas são mais frias e variáveis, o que significa que um material certificado para compostagem industrial pode não se decompor em casa.
O ácido polilático (PLA), alternativa aos plásticos como o PET, biodegrada-se com eficácia em sistemas industriais com temperaturas acima de 60°C. Fora dessas condições controladas, contudo, a história muda, e o material pode persistir por anos em aterros ou ambientes marinhos.
Existem diversas maneiras de medir a biodegradabilidade, como a série de testes OECD 301, que avalia a capacidade de um material se biodegradar 60% em 28 dias. A norma europeia EN 13432 exige que 90% do material se biodegrade em dióxido de carbono, água e biomassa em até seis meses.
A maioria dos plásticos biodegradáveis não desaparece de forma limpa, mas se fragmenta em partículas menores antes de se decompor totalmente. Durante esse período, esses pedaços continuam interagindo com ecossistemas, com efeitos que ainda não são plenamente compreendidos.
As normas de biodegradabilidade são ferramentas úteis, mas apresentam limitações, pois raramente testam o volume que um sistema de descarte consegue processar. Quando grandes quantidades de resíduos orgânicos ficam em aterros sem oxigênio, elas geram metano, um potente gás de efeito estufa.
Outros materiais biodegradáveis podem desequilibrar ecossistemas como uma composteira doméstica se adicionados em excesso, favorecendo certos micróbios. No futuro, os testes de biodegradabilidade provavelmente serão combinados com avaliações de ecotoxicidade para garantir uma decomposição segura.
Poucas pessoas têm acesso a uma instalação de compostagem industrial para dar a destinação correta a produtos como copos de café compostáveis. É fundamental verificar as orientações do serviço de coleta local e escolher produtos certificados para os sistemas disponíveis em sua região.
Três perguntas devem orientar o consumidor: o produto é compostável em casa ou industrialmente, existe infraestrutura local para processá-lo e ele possui certificação. Materiais que não se enquadram nessas condições devem ser encaminhados para aterro, evitando contaminar a reciclagem.
No fim, a opção mais sustentável continua sendo o uso de materiais reutilizáveis e laváveis, como copos duráveis que eliminam a necessidade de descarte. Compreender os diferentes matizes da biodegradabilidade permite que a sociedade pressione por sistemas de embalagens e resíduos mais responsáveis.
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