EUA conduzem operação secreta para guiar navios mercantes no Estreito de Ormuz

Um navio porta-contêineres navega pelo mar em águas abertas. (Foto: rt.com)

As Forças Armadas dos Estados Unidos têm conduzido uma operação secreta para guiar navios mercantes através do Estreito de Ormuz, segundo revelou o jornal The New York Times com base em fontes oficiais. A ação clandestina, executada pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM), coordenou a passagem de aproximadamente 70 embarcações comerciais nas últimas três semanas, conforme detalhou o portal RT.

A operação ocorre num contexto de tensão máxima na região desde que a República Islâmica do Irã fechou a via estratégica para navios de países hostis, em resposta aos bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel lançados em 28 de fevereiro. O Estreito de Ormuz, que antes do conflito escoava cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial, tornou-se o epicentro de uma disputa que já retém entre 1.600 e 2.000 embarcações no Golfo Pérsico.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado em abril o chamado Projeto Liberdade, iniciativa oficial para escoltar navios mercantes de países neutros retidos na região. A operação pública, no entanto, foi suspensa menos de 48 horas depois de seu lançamento, após a Arábia Saudita recusar a utilização da Base Aérea Príncipe Sultão e vetar o sobrevoo de seu espaço aéreo por forças americanas.

Com a via diplomática e a operação aberta fracassadas, Washington passou a atuar nas sombras, orientando embarcações por uma rota mais próxima à costa de Omã para evitar a detecção pelas forças navais iranianas. Um funcionário americano ouvido pelo Times confirmou que a maioria dos navios envolvidos desligou seus transmissores de localização para escapar do monitoramento iraniano durante a travessia.

O tráfego marítimo pelo ponto de estrangulamento permanece em colapso, despencando de uma média de 150 navios por dia para menos de dez atualmente. A dramática redução do fluxo comercial evidencia o impacto duradouro da estratégia de Teerã, que condiciona a passagem de embarcações de terceiros países ao pagamento de pedágio e ao cumprimento estrito de instruções militares.

Enquanto conduzia sua operação secreta de escolta, Washington impôs simultaneamente um bloqueio naval abrangente aos portos iranianos, interceptando mais de 100 navios de carga desde então. A ação unilateral americana, executada sem qualquer mandato das Nações Unidas, constitui uma violação do direito internacional, segundo analistas.

A resposta iraniana, por outro lado, demonstra que o país mantém controle efetivo sobre sua zona de soberania, apesar da pressão militar combinada de Washington e Tel Aviv. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou recentemente que 28 navios haviam atravessado o estreito nas 24 horas anteriores após obter as autorizações necessárias, sinal inequívoco de que o bloqueio iraniano permanece operacional e com capacidade de fiscalização ativa.

A revelação da operação clandestina americana escancara mais uma vez o abismo entre a retórica oficial de Washington e suas ações concretas no cenário internacional. Enquanto acusa outros países de desestabilizarem a região, os EUA conduzem manobras secretas, impõem bloqueios unilaterais e desrespeitam a soberania de nações que ousam exercer seu direito legítimo à autodefesa diante de agressões militares estrangeiras, segundo críticos.


Leia também: EUA disparam míssil contra navio mercante no Estreito de Ormuz e intensificam bloqueio naval ao Irã


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