Ex-sócio de paulo figueiredo entregará à PF político ‘dono’ da rioprevidência

Ilustração editorial sobre Ex-sócio de paulo figueiredo entregará à PF político 'dono' da rioprevidência. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O ex-sócio do empresário Paulo Figueiredo, Ricardo Siqueira Rodrigues, afirmou que entregará à Polícia Federal (PF) o nome do político que seria o verdadeiro ‘dono’ da RioPrevidência, o fundo de pensão do estado do Rio de Janeiro. Rodrigues é apontado como o principal lobista e operador político do esquema que captava recursos do governo de Cláudio Castro (PL) para o Banco Master.

A revelação foi feita em entrevista ao site Metrópoles, repercutida pela Revista Fórum, e representa um novo capítulo nas investigações que ligam o clã Bolsonaro a tramas financeiras de alto risco. Paulo Figueiredo, ex-sócio de Rodrigues, é conhecido como fiel assessor do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e peça-chave nas conexões políticas da família.

Rodrigues, que agora rompeu publicamente com o antigo parceiro, era a engrenagem que viabilizava contratos e repasses milionários do Palácio Guanabara para a instituição financeira. Sua decisão de colaborar com a PF ocorre em meio ao avanço das apurações sobre a simbiose entre o bolsonarismo e o Banco Master, que se tornou um polo de influência e arrecadação para o PL.

A RioPrevidência, fundo responsável pelas aposentadorias dos servidores estaduais, tornou-se alvo de disputa voraz por seu patrimônio bilionário. Segundo Rodrigues, o político que será apontado exercia controle oculto sobre as decisões do fundo, utilizando-o como um feudo particular para alimentar esquemas financeiros.

O empresário Paulo Figueiredo ocupa uma função estratégica na hierarquia bolsonarista: atua como braço direito do deputado Eduardo Bolsonaro e já participou de missões internacionais que misturavam diplomacia paralela e interesses comerciais. A associação entre Figueiredo e Rodrigues durou anos até se desfazer em meio a disputas sobre os rumos do Banco Master e a partilha do butim político.

A instituição financeira, que cresceu de forma meteórica com forte apetite por contratos públicos, é acusada de servir como instrumento de blindagem patrimonial e arrecadação eleitoral para o projeto de poder da família Bolsonaro em 2026. O banco tornou-se uma peça central na engrenagem que une o Planalto, o governo do Rio e dirigentes partidários.

A movimentação reacende o escrutínio sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já foi alvo de investigações sobre a chamada ‘rachadinha’ e mantém relações com os negócios nebulosos do Banco Master. O parlamentar nega qualquer irregularidade, mas a teia de personagens que gravitam ao seu redor se torna cada vez mais densa e repleta de contradições financeiras.

A PF já havia identificado que recursos do estado do Rio irrigaram o banco por meio de operações estruturadas que driblavam controles legais. Agora, a entrega do nome do ‘dono’ da RioPrevidência pode expor um papel ainda mais direto de um político de alto escalão na gestão criminosa do fundo.

O ex-governador Cláudio Castro, alvejado por escândalos de corrupção, aparece como personagem central nessa arquitetura porque seu governo foi o principal fornecedor de dinheiro público ao Banco Master. A ligação entre Castro e o clã Bolsonaro, mediada por Figueiredo e Rodrigues, nunca foi completamente esclarecida pelas investigações.

O que torna o depoimento de Rodrigues potencialmente explosivo é sua capacidade de descrever quem, de fato, dava as ordens sobre a RioPrevidência e como o dinheiro dos servidores circulava até chegar às mãos dos operadores políticos. A PF já coleta elementos para decidir se o caso deve ser investigado em conjunto com outros inquéritos que miram o bolsonarismo.

A blindagem eleitoral para 2026 depende da preservação de Flávio Bolsonaro como candidato viável, longe de escândalos que manchem sua imagem. A cada novo capítulo da trama BolsoMaster, a versão de perseguição política perde força diante da materialidade dos fatos financeiros que emergem.

O nome a ser apresentado por Rodrigues pode atingir em cheio a cúpula do PL, partido que Jair Bolsonaro tenta manter unido para disputar o Palácio do Planalto. A eventual implicação de um dirigente partidário ou de um aliado próximo da família tornaria ainda mais difícil separar a legenda das engrenagens de corrupção.

A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que o senador nunca teve ingerência sobre a RioPrevidência ou sobre os negócios do Banco Master. Contudo, a rede de sócios, assessores e emissários que emergiu das apurações desmente qualquer alegação de distanciamento.

O desfecho dessa entrega à PF pode ditar o ritmo das investigações eleitorais e alterar o tabuleiro da sucessão presidencial. O bolsonarismo, que aposta na polarização e no discurso de vitimização, vê seu front financeiro ruir à medida que ex-aliados decidem contar o que sabem.

Enquanto o cerco se fecha, o Banco Master tenta manter a narrativa de que é apenas uma instituição privada inovadora. Mas os fatos indicam uma operação de engenharia financeira desenhada para sugar recursos públicos e irrigar campanhas, com a bênção de governantes e a cumplicidade de uma rede de operadores.

A revelação iminente do ‘dono’ da RioPrevidência expõe a fragilidade do projeto de poder bolsonarista, que se alicerça mais em tramas patrimoniais do que em convicções ideológicas. A urna de 2026 será precedida por um acerto de contas judicial que pode implodir alianças e sepultar candidaturas cuidadosamente construídas.

Leia também: Toda a cobertura dos escândalos da família Bolsonaro.


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