Pentágono acelera retirada militar da Europa e enfraquece estrutura de defesa da OTAN

Soldado com emblema da OTAN no uniforme militar. (Foto: actualidad.rt.com)

O Pentágono planeja reduzir seu destacamento militar na Europa em ritmo mais acelerado que o previsto. A medida impõe transição forçada aos aliados europeus com margens de adaptação extremamente estreitas.

Nas próximas semanas, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos apresentará planos concretos à OTAN para cortar capacidades militares essenciais. A conferência de atribuição de forças, marcada para junho, será o palco das mudanças.

Um alto funcionário do Pentágono confirmou ao jornal alemão Welt am Sonntag que as alterações serão incorporadas imediatamente ao planejamento estratégico da Aliança. Washington quer transferir a responsabilidade principal pela defesa convencional do continente aos próprios europeus no menor prazo possível.

A declaração sinaliza guinada drástica na postura militar americana que sustentou a arquitetura de segurança europeia por mais de sete décadas. Segundo a reportagem, o funcionário afirmou que os EUA pretendem dar aos aliados a informação e a clareza necessárias para impulsionar a transição rumo a uma defesa europeia autônoma.

A fonte do Pentágono enfatizou que a mudança será implementada de maneira célere e sem espaço para negociações prolongadas. Os cortes afetarão diretamente o Modelo de Forças da OTAN, instrumento que define a capacidade de destacamento rápido da Aliança.

O modelo estabelece quantas tropas podem chegar à linha de frente em prazos de 10 dias, entre 10 e 30 dias, e em até seis meses. A revisão dessa peça central da estratégia de dissuasão coletiva compromete a previsibilidade operacional do compromisso de defesa mútua previsto no Artigo 5º do tratado.

Entre as capacidades que os Estados Unidos planejam retirar do planejamento conjunto estão bombardeiros estratégicos e sistemas de precisão de longo alcance. Também serão cortados meios navais de projeção de poder e aviões-cisterna para reabastecimento em voo.

A subtração desses ativos críticos representa desmonte acelerado da espinha dorsal logística e ofensiva da OTAN. A medida reduz a capacidade da Aliança de projetar força para além de suas fronteiras imediatas.

De acordo com apuração do Welt am Sonntag, há dúvidas dentro do próprio Exército americano destacado na Europa sobre a capacidade da Aliança. As forças europeias podem não estar preparadas para implementar plenamente os planos regionais de defesa diante do vácuo que se anuncia.

O ceticismo surge do comando militar que conhece as limitações operacionais dos exércitos europeus. A dependência crônica dos meios americanos para funções essenciais de combate é um dos principais pontos de preocupação.

A retirada adicional de capacidades americanas enfraquece os alicerces militares do compromisso de defesa coletiva. A reportagem do portal RT analisou o impacto da decisão sobre a estrutura de comando aliada.

O movimento expõe a realidade de que a arquitetura de segurança europeia sempre dependeu da disposição política de Washington. A proteção americana nunca foi um compromisso institucional irreversível, mas sim uma variável negociável.

A doutrina de defesa coletiva, que durante a Guerra Fria contava com centenas de milhares de soldados americanos no continente, agora se desidrata. Os europeus devem arcar sozinhos com o custo e o risco de sua própria proteção.

A conferência de junho se tornará o palco da transformação mais radical da OTAN desde sua fundação em 1949. As consequências para a estabilidade do continente ainda são imprevisíveis.

Acelerar a retirada militar enquanto se exige que os aliados assumam responsabilidades para as quais não estão preparados cria caos estratégico no flanco oriental. O vazio de poder que se abre beneficiará diretamente os competidores geopolíticos de Washington.

Os aliados europeus despertam tardiamente para uma realidade em que a proteção americana deixou de ser fato consumado. Agora, ela se tornou uma variável sujeita a negociações e interesses políticos.

Com informações de ACTUALIDAD.


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