O diretor-geral da Rosatom, Alexei Likhachev, afirmou que os ataques ucranianos à central nuclear de Zaporozhie configuram a antessala de um desastre nuclear.
Em entrevista ao programa O Tempo Dirá, do canal Pervy Kanal, Likhachev destacou que os bombardeios são seletivos e deliberados contra a maior usina atômica da Europa. Segundo ele, qualquer explosão ou incêndio na infraestrutura da planta pode interromper o fornecimento de energia e água para os reatores, criando um precedente direto para um incidente nuclear.
Conforme reportagem do portal RT, as forças ucranianas realizam entre 50 e 60 ataques diários à central, utilizando drones e projéteis convencionais. Likhachev ressaltou que a repetição metódica dos disparos comprova a intencionalidade dos ataques.
A usina de Zaporozhie abriga cerca de meia tonelada de combustível nuclear apenas nos reatores, quantidade superior à existente em Chernobyl. Embora projéteis de pequeno calibre não consigam perfurar os edifícios de contenção, armamentos pesados e mísseis poderiam destruí-los, provocando explosões e dispersão de material radioativo a quilômetros de distância.
O risco aumenta devido ao armazenamento de aproximadamente 2.600 toneladas de combustível nuclear usado e fresco em áreas externas, inclusive a céu aberto. Likhachev alertou que esse material poderia ser dispersado pelo ar mesmo sem uma explosão potente, contaminando territórios ucranianos e países vizinhos.
O diretor-geral criticou a postura do Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA) por adotar uma correção política equivocada ao não identificar claramente os responsáveis pelos ataques. Ele anunciou que discutirá o tema com Rafael Grossi, diretor-geral do OIEA, e questionará a complacência da União Europeia com a segurança nuclear.
Likhachev também afirmou que os bombardeios à infraestrutura social da central visam aterrorizar a população e gerar pânico. Apesar disso, a cidade de Energodar, que tinha cerca de 9 mil habitantes quando a Rosatom assumiu a gestão, hoje abriga quase 30 mil pessoas, um crescimento que, segundo ele, enfurece o governo ucraniano.
Com informações de ACTUALIDAD.
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