China aprova primeiro chip cerebral invasivo do mundo e devolve movimentos a pacientes paralisados

Ilustração editorial sobre China aprova primeiro chip cerebral invasivo do mundo e devolve movimentos a pacientes paralisados. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A China alcançou um marco histórico na neurociência ao aprovar o primeiro chip cerebral invasivo para uso clínico fora de ensaios experimentais. O dispositivo NEO, desenvolvido pela startup Neuracle Technology em parceria com a Universidade Tsinghua, recebeu autorização da Administração Nacional de Produtos Médicos da China.

O implante foi projetado para tratar pacientes com paralisia causada por lesões na medula espinhal. Dong Hui, de 39 anos, foi um dos primeiros beneficiários após ficar paralisado do pescoço para baixo em um acidente de carro há seis anos.

Em outubro passado, Dong conseguiu segurar uma caneta e escrever o próprio nome pela primeira vez desde o acidente. Ele descreveu o momento como inacreditável, destacando a recuperação de movimentos básicos que antes pareciam impossíveis.

O NEO é um implante do tamanho de uma moeda com oito sensores posicionados sobre a dura-máter. Os sinais neurais captados são transmitidos a um computador externo, que os converte em comandos para uma luva robótica macia.

A cirurgia para instalação do dispositivo dura cerca de uma hora e meia. Dong iniciou a reabilitação uma semana após o procedimento e, no nono dia, conseguiu agarrar uma bola com a mão direita sem auxílio da luva robótica.

A aprovação chinesa coloca o NEO à frente de concorrentes como o chip N1 da Neuralink, empresa de Elon Musk. O dispositivo americano recebeu autorização do FDA para testes em humanos em maio de 2023, com o primeiro implante realizado em janeiro de 2024.

Avinash Singh, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Sydney, destacou que o design menos invasivo do NEO reduz riscos de hemorragia e degradação de sinais. Segundo reportagem da MIT Technology Review, o dispositivo apresenta vantagens clínicas significativas.

A Neuracle conduziu 36 ensaios clínicos com o NEO desde outubro de 2023. O governo chinês incorporou o implante ao sistema nacional de saúde, permitindo que pacientes paguem apenas uma fração do custo total do tratamento.

O plano quinquenal chinês lista a interface cérebro-computador como uma das seis indústrias estratégicas para o futuro tecnológico do país. Wang Shouyan, neurocientista da Universidade Fudan, afirmou que os BCIs estão prontos para fabricação em larga escala na China.

Meicen Sun, da Universidade de Illinois, apontou que a aceitação cultural na China favorece a adoção da tecnologia. Pacientes como Dong Hui demonstram entusiasmo genuíno, diferentemente do ceticismo observado em países ocidentais.

A neurotecnologia emerge como um campo de colaboração sino-americana apesar das tensões geopolíticas. A empresa Axoft, de Massachusetts, aliou-se a parceiros chineses para testar seu BCI em quatro pacientes no país asiático.

Outros dispositivos chineses, como o Beinao-1, estão na fila para aprovação. Desenvolvido pelo Instituto Chinês de Pesquisa Cerebral, o implante visa auxiliar pacientes com dificuldades motoras e de fala decorrentes de lesões neurológicas.

Para Dong Hui, a tecnologia representa mais do que um avanço científico. Ele acredita que o NEO poderá devolver esperança e autonomia a milhares de pacientes chineses com lesões na medula espinhal.


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