A decisão do governo Trump de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas globais deu um fôlego digital passageiro ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. O efeito, no entanto, não conseguiu estancar a hemorragia de credibilidade provocada pela ligação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Levantamento da consultoria AP Exata Inteligência em Comunicação Digital, divulgado pelo Valor Econômico, mostra que as menções positivas ao senador cresceram 2,9 pontos percentuais após o anúncio de quinta-feira (28 de maio). A militância bolsonarista rapidamente explorou o tema para atacar o presidente Lula na segurança pública, mas o ganho foi limitado.
O índice de confiança de Flávio, porém, desabou para 10% na manhã de sexta-feira (29), ante 17% antes do escândalo. Houve uma leve recuperação para 12,2% na quinta-feira, mas a reação se mostrou frágil diante da contra-ofensiva de adversários.
A rejeição digital ao candidato permanece alta: as menções negativas atingiram 62,5% nesta sexta-feira, bem acima dos 57,5% de antes do caso Vorcaro. No auge da crise, em 20 de maio, quando Flávio admitiu ter se reunido com Vorcaro após sua prisão, esse índice explodiu para 70,2% — melhora que mal alivia o estrago.
O monitoramento também captou um efeito indireto favorável ao presidente Lula, cujas menções negativas caíram para 59,9%, contra 62,4% antes do escândalo. Pela primeira vez desde o início da crise, o presidente inverteu a desvantagem que tinha em relação ao adversário nesse quesito.
Segundo a AP Exata, a visita de Flávio à Casa Branca e o enquadramento das facções geraram uma narrativa favorável para a direita digital, mas não reconstruíram a confiança. A consultoria destaca que a melhora nas menções positivas ainda não se converteu em credibilidade estável.
O diagnóstico é de uma recuperação parcial, ancorada no debate sobre segurança pública, mas insuficiente para apagar o dano reputacional da crise do Master. A queda do índice de confiança, de 17% para 10%, mostra que a recomposição segue frágil.
A ofensiva digital bolsonarista tenta agora transformar o ganho temático em percepção de viabilidade eleitoral. No entanto, como ressalta o relatório, a crise do Master ainda sangra — e nenhum efeito Trump estanca a ferida.
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