EUA estendem embargo de chips de IA a empresas chinesas no exterior

Chip de semicondutor da NVIDIA em placa-mãe, ilustrando restrições de exportação de tecnologia. (Foto: aljazeera.com)

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos emitiu orientação esclarecendo que as restrições à exportação de semicondutores avançados para inteligência artificial se aplicam também a subsidiárias de empresas chinesas localizadas fora da China. A medida visa fechar brechas no regime de controle de exportações que permitiam que companhias com matriz chinesa contornassem o embargo.

O Bureau of Industry and Security (BIS), braço do Departamento de Comércio, confirmou que já exigia licenças para embarques a qualquer empresa com sede ou controladora na China. A resposta foi um direto ‘sim’ à dúvida de parte da indústria, mesmo após a revogação do arcabouço de difusão de IA do ex-presidente Joe Biden.

Conforme reportagem do portal Al Jazeera, o arcabouço de difusão de IA, anunciado no governo Biden, propunha um sistema global de controle de acesso a chips. A proposta enfrentou forte oposição de gigantes como a Nvidia, que a classificou como ameaça à inovação.

A administração atual descartou o marco em maio de 2025, citando ‘exigências regulatórias onerosas’ e danos às relações diplomáticas. Agora, a nova orientação do BIS deixa claro que a liberação não isentou as subsidiárias chinesas no exterior da obrigação de licenciamento.

Um porta-voz da Nvidia afirmou ao Al Jazeera que a companhia já operava em conformidade com as regras esclarecidas. ‘A orientação reafirma que o processo de vendas e verificação da Nvidia está correto – é necessária licença para enviar produtos controlados a empresas com sede na República Popular da China’, declarou.

A AMD e a Intel, principais concorrentes da Nvidia no setor de unidades de processamento gráfico (GPUs), não comentaram imediatamente. A TSMC, que fabrica os chips mais avançados para clientes como a Nvidia, também não respondeu a pedidos de posicionamento.

Chris McGuire, ex-funcionário do Departamento de Estado, acusou a gestão atual de ter proporcionado uma brecha para que empresas chinesas comprassem chips controlados. Segundo ele, muitos embarques ocorreram legalmente, e o novo esclarecimento torna as remessas ilegais novamente.

Os Estados Unidos vêm impondo sucessivas barreiras ao fornecimento de tecnologia de ponta à China, em meio à disputa pela supremacia em inteligência artificial. Em dezembro, a administração atual autorizou a Nvidia a vender o chip H200 ao mercado chinês, modelo mais potente que o permitido anteriormente.

O movimento para fechar a brecha reforça a escalada de Washington na guerra tecnológica contra Pequim, empurrando a China a acelerar seus próprios esforços em semicondutores. A indústria global de chips segue no fogo cruzado dessa rivalidade estratégica.


Leia também: EUA restringem exportação de chips avançados e sufocam produção chinesa de semicondutores


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