A Coreia do Sul vive uma nova controvérsia envolvendo a Starbucks que vai além de uma campanha de marketing mal planejada. o episódio revela um hábito político recorrente: quando a indignação pública ganha força, atores poderosos tratam a denúncia coletiva como substituto para o devido processo e julgamento proporcional.
A Starbucks Coreia lançou uma promoção chamada Tank Day, parte de uma sequência de promoções de copos que incluía Dante Day, Tank Day e Nasu Day. As imagens promocionais continham frases como Perfect for One Hand!, Tak on the table! e Fits Right in Your Bag!
Ativistas declararam o evento Tank Day de 18 de maio insensível porque essa data marca o aniversário do Levante Democrático de Gwangju de 1980. eles associaram 5/18, Tank Day e Tak on the table! com violência estatal e o caso de tortura e morte de Park Jong-chul.
A Starbucks Coreia retirou a campanha, o conglomerado proprietário Shinsegae emitiu pedidos de desculpas e o chefe local da Starbucks Coreia foi demitido.
O Levante Democrático de Gwangju ocorreu entre 18 e 27 de maio de 1980. O caso de tortura e morte de Park Jong-chul ocorreu em 14 de janeiro de 1987, quando a polícia afirmou falsamente que um estudante ativista morreu após uma mesa ser golpeada com um som tak.
A controvérsia não se baseou em uma única correspondência histórica direta. ela fundiu memórias separadas de violência autoritária: tanques e repressão militar associados a Gwangju mais a frase tak associada a Park Jong-chul.
O presidente Lee Jae-myung denunciou publicamente a empresa, e o Ministério do Interior anunciou que deixaria de oferecer produtos ou vouchers da Starbucks em eventos oficiais. A controvérsia passou de crítica de consumidores para punição amplificada pelo Estado.
A punição se espalhou além da Starbucks. O ator Jeong Min-chan, que postou fotos de uma visita à Starbucks, renunciou ao musical Diaghilev após a controvérsia se expandir. Jeong depois se desculpou, dizendo que estava ocupado demais para acompanhar os assuntos atuais e que a ignorância também era um erro.
Uma questão central foi amplamente ignorada: a intenção. não ficou claro se a Starbucks Coreia ou seu CEO deliberadamente zombaram das vítimas de Gwangju, ou se um calendário corporativo comum produziu uma coincidência ofensiva por cegueira histórica e revisão inadequada.
A arbitrariedade fica mais clara ao comparar com eventos de 26 de março. Nessa data em 2010, a Coreia do Norte supostamente afundou a corveta sul-coreana Cheonan, matando 46 marinheiros. A Starbucks Coreia lançou Dear20 em 26 de março de 2026, um programa para membros Starbucks Rewards na faixa dos vinte anos, e o Grupo Shinsegae também anunciou promoções Starbucks Landers Shopping Festa nesse dia.
A classe política da Coreia não se mobilizou contra a Starbucks em 26 de março. O texto observa que as eleições locais nacionais da Coreia do Sul estão marcadas para 3 de junho de 2026, apenas uma semana após a controvérsia.
Consumidores têm todo direito de boicotar, grupos de vítimas têm todo direito de protestar e jornalistas têm todo direito de criticar. Mas presidentes e ministros detêm autoridade coercitiva, observa a fonte. Suas palavras sinalizam quais atores privados merecem exclusão da vida pública.
A conquista democrática da Coreia do Sul é real, mas sua cultura pública mantém uma tentação antiliberal: tratar a denúncia coletiva como virtude cívica. O perigo cresce quando o partido governante veste a punição comunal na linguagem da justiça e usa a memória moral para disciplinar empresas ou cidadãos comuns.
Material de referencia publicado por Asia Times.