A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou nesta segunda-feira uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por atentado à soberania nacional. A entidade sustenta que a conduta do parlamentar, especialmente seus vínculos com o Banco Master, configura ameaça concreta à independência econômica do país.
A peça jurídica foi entregue diretamente ao gabinete do procurador-geral e relata uma série de operações financeiras que, segundo os juristas, expõem o Brasil a interesses estrangeiros ocultos. O foco da representação recai sobre a atuação do senador como articulador de créditos bilionários do Banco Master em favor de empresas ligadas ao seu círculo político, utilizando estruturas offshore e fundos com origem em paraísos fiscais.
Os advogados da ABJD argumentam que tais manobras ferem o artigo 4º da Constituição Federal, que consagra a defesa da soberania nacional como princípio fundamental das relações internacionais. Além disso, destacam que a proximidade de Flávio Bolsonaro com investidores estrangeiros, em troca de suporte financeiro para a campanha de 2026, cria uma situação de dependência incompatível com o cargo de senador.
A defesa do senador nega qualquer irregularidade e classifica a representação como ‘perseguição política movida por adversários ideológicos’. Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que todas as operações financeiras foram lícitas e devidamente declaradas aos órgãos de controle.
O Banco Master, instituição financeira de médio porte com atuação crescente no mercado de crédito, está no centro de investigações da Polícia Federal desde 2025 por suspeita de lavagem de dinheiro e concessão fraudulenta de empréstimos. A relação do banco com o clã Bolsonaro foi revelada por reportagens da imprensa que mostraram reuniões entre o senador e executivos da instituição às vésperas de liberações de crédito para aliados.
O escândalo ganhou contornos mais graves quando se descobriu que parte dos recursos injetados no Master provinha de fundos soberanos do Oriente Médio e de investidores da Ásia, com garantias que incluíam ativos estratégicos brasileiros. Para a ABJD, essa engenharia financeira transfere poder decisório sobre a economia nacional a agentes externos, configurando atentado à soberania.
O movimento dos juristas ocorre a menos de quatro meses das eleições presidenciais de 2026, para as quais Flávio Bolsonaro é cotado como um dos principais articuladores da campanha de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). A investigação na PGR pode atingir diretamente a candidatura bolsonarista, uma vez que a lei eleitoral pune o abuso de poder econômico e o financiamento ilegal de campanhas.
Caso a PGR acolha a representação e instaure um inquérito, Flávio Bolsonaro corre o risco de se tornar alvo de medidas cautelares, como busca e apreensão, em plena campanha eleitoral. Além disso, o desgaste político pode minar sua influência sobre o diretório nacional do PL, partido que controla a máquina de arrecadação do bolsonarismo.
O histórico do senador já conta com outras investigações, como a do caso das ‘rachadinhas’ na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que resultou em denúncia por organização criminosa e peculato. Embora tenha sido absolvido em primeira instância pelo Tribunal de Justiça do Rio, o caso ainda tramita em cortes superiores e mantém viva a sombra da corrupção sobre sua trajetória.
A nova representação soma-se a um acervo de suspeitas que fragilizam a blindagem política construída pelo senador ao longo dos anos. A ABJD requer que a PGR investigue não apenas Flávio Bolsonaro, mas também os executivos do Banco Master e os intermediários que viabilizaram as operações por meio de offshores no Caribe e na Europa.
A estratégia da ABJD visa não apenas a punição criminal, mas também a inviabilização política do senador às vésperas do pleito. Se a PGR der prosseguimento ao caso, Flávio Bolsonaro poderá ter que depor e explicar transações que, segundo os juristas, driblam os mecanismos nacionais de fiscalização financeira.
Segundo apurou o Diário do Centro do Mundo, a representação menciona que os recursos estrangeiros podem ter sido utilizados para compra de apoio parlamentar e financiamento de atos antidemocráticos. A PGR ainda não se manifestou sobre o recebimento do documento.
O silêncio do procurador-geral, contudo, não apaga a gravidade das acusações que pesam sobre o filho mais velho do ex-capitão. No tabuleiro de 2026, a representação da ABJD transforma a campanha bolsonarista em um campo minado onde cada passo pode detonar uma nova crise judicial.
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