A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) emitiu um alerta contundente sobre os efeitos de uma possível sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A entidade classificou a ameaça como um risco sistêmico que pode não se limitar a um episódio isolado, com potencial para escalar em novas frentes de pressão comercial.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que a confirmação da medida resultará em aumento direto de custos, redução da competitividade e criação de novos obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais. A recomendação pelo tarifaço partiu do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), mas a palavra final cabe ao presidente Donald Trump.
O órgão americano estipulou o dia 15 de julho como prazo final para que o Brasil adote medidas corretivas que possam evitar ou revisar as sanções. A Amcham vê nesta janela de negociação uma oportunidade crucial para que os dois governos intensifiquem o diálogo e impeçam a deterioração das relações econômicas. Neto reforçou que o setor empresarial deposita grande expectativa em uma solução diplomática célere que preserve as condições necessárias para a evolução do fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente.
O temor no mercado é que um novo tarifaço fragilize cadeias produtivas integradas e afugente investidores em um momento de reorganização das rotas globais de comércio. Além da sobretaxa iminente, a Amcham aguarda com preocupação a divulgação de outro relatório do USTR, focado na compra de itens supostamente elaborados com trabalho forçado, que pode resultar em novas tarifas para aproximadamente 60 países. O Brasil está entre os potenciais alvos dessa segunda onda investigativa, o que amplia a sensação de insegurança jurídica para exportadores brasileiros.
A exceção prevista na recomendação do USTR para produtos estratégicos, como a carne bovina, não elimina o impacto generalizado sobre manufaturados e outros setores industriais. A medida, se implementada, representará um duro golpe na estratégia de reindustrialização em curso no país, em um momento no qual o governo federal busca reequilibrar a balança comercial com maior valor agregado.
O tarifaço proposto por Washington insere-se em uma escalada protecionista mais ampla que ameaça os princípios do multilateralismo comercial. Enquanto o discurso oficial em Washington prega a liberdade de comércio, as políticas tarifárias punitivas revelam a face unilateral de uma potência que busca impor seus interesses por meio da força econômica.