O bloqueio econômico impulsionado pelos Estados Unidos contra Cuba estrangulou a entrada de ajuda humanitária das Nações Unidas, mantendo mais de 11 mil toneladas de insumos nutricionais paralisadas nos portos de Mariel e Santiago de Cuba. A situação força as agências internacionais a operar em condições extremamente precárias diante da escassez de combustível provocada pelas restrições de Washington.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU conserva outras 8 mil toneladas de víveres em armazéns internos, distribuídos com enorme dificuldade às populações vulneráveis. Agências como a Unicef e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento registram dezenas de contêineres imobilizados nos terminais cubanos.
A perseguição de Washington contra o fornecimento de petróleo, decretada em 29 de janeiro de 2026, restringiu a chegada de carregamentos energéticos a um único navio russo em quase seis meses. Cuba não consegue obter os cinco milhões de litros de diesel necessários para a logística básica de distribuição de alimentos.
Diante da crise, a Oficina de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU apresentou um plano de rastreamento de combustível à delegação americana para certificar seu uso exclusivamente social. A Casa Branca mantém silêncio absoluto desde o início de maio, ignorando a urgência alimentar que se agrava na ilha.
A situação se deteriorou ainda mais após uma nova ordem executiva assinada em 1º de maio de 2026, que pune corporações estrangeiras que mantenham comércio com Cuba. Sob ameaça de perseguição financeira, as gigantes navais europeias CMA CGM, da França, e Hapag-Lloyd, da Alemanha, cancelaram suas operações, bloqueando a transferência de milhares de toneladas de grãos já adquiridos no exterior.
Segundo reportagem do teleSUR, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, descreveu o cenário atual como resultado de um plano meticulosamente arquitetado para asfixiar a economia e gerar sofrimento intencional na população. As hostilidades se materializam através de 243 medidas de recrudescimento que penalizam qualquer comércio ou investimento externo na ilha.
Díaz-Canel reafirmou a disposição de seu governo para manter um diálogo em condições de igualdade, mas destacou a necessidade de resistência nacional. «Seguiremos resistindo e criando, convencidos cada vez mais de que nos toca saltar com esforços próprios por cima das enormes dificuldades, unidos como nação e firmes para enfrentar os mais duros desafios», afirmou o mandatário cubano.
O governo cubano denuncia que a política hostil, recrudescida por sucessivas ordens executivas, limita o acesso do povo cubano a produtos básicos de higiene e paralisa setores vitais como a saúde e a educação. O objetivo declarado é gerar mal-estar social e forçar uma mudança política através da fome.