Camuflagem foliar de esperanças amplifica cantos de acasalamento e atrai mais fêmeas, revela estudo

Inseto camuflado como folha repousa em galho, ilustrando adaptação para atrair fêmeas. (Foto: phys.org)

A camuflagem em forma de folha das esperanças, insetos da família Tettigoniidae, não serve apenas para ocultá-las dos predadores, mas também atua como um potente amplificador acústico durante a reprodução. Pesquisadores da Universidade de St Andrews, na Escócia, descobriram que essas estruturas imitadoras de folhas intensificam os chamados dos machos, tornando-os muito mais sedutores para as fêmeas.

O trabalho, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, é o primeiro a demonstrar que o mimetismo foliar potencializa de modo simultâneo a sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Até agora, acreditava-se que adaptações para defesa e para atração sexual funcionassem em conflito, como acontece com a cauda vistosa do pavão, que atrai parceiras mas também alerta predadores.

Os machos da espécie Viadana brunneri produzem seus cantos friccionando áreas especializadas das asas, enquanto as regiões que copiam o aspecto de uma folha ocupam a maior parte da superfície alar. Ao investigar essa configuração, a equipe liderada pelo Dr. Benito Wainwright notou que os pedaços foliares vibravam de modo a modificar a altura e a intensidade do som emitido.

No experimento, os cientistas removeram as seções foliares das asas de alguns machos e gravaram as diferenças acústicas. A remoção elevou a frequência e reduziu o volume dos cantos, eliminando o efeito amplificador que a camuflagem proporcionava naturalmente.

Quando os chamados dos dois grupos foram reproduzidos para fêmeas, elas manifestaram preferência inequívoca pelos sons mais graves e encorpados emitidos pelos machos com as asas intactas. A escolha foi medida por meio dos breves estalidos que elas emitem em resposta, sinalizando maior interesse nos parceiros cujas canções chegavam com mais potência.

Os ensaios bioacústicos, comportamentais e biofísicos revelaram que as falsas folhas não apenas escondem o inseto, mas também redirecionam e projetam o som, tornando-o mais detectável em meio à densa floresta tropical. A constatação surpreendeu os investigadores, que descreveram o achado como uma engenharia acústica natural de rara elegância.

Conforme detalhado pelo portal Phys.org, esses insetos emitem chamados ultrassônicos extremamente curtos e esparsos – estima-se que cantem por apenas dois segundos ao longo de uma noite inteira. Apesar da brevidade, a vibração das asas foliares garante que o sinal chegue às fêmeas com muito mais impacto, fazendo cada fração de segundo valer drasticamente mais.

O Dr. Benito Wainwright, pesquisador do Centro de Ecologia e Evolução da Universidade de St Andrews e autor principal do artigo, destacou a raridade do fenômeno evolutivo. Ele afirmou que o estudo oferece um exemplo raro de seleção natural e seleção sexual atuando em harmonia, produzindo traços que melhoram simultaneamente a sobrevivência e o sucesso no acasalamento.

Os resultados desafiam a noção de que todo adorno para atrair parceiras coloca o animal em risco adicional e mostram que a natureza pode encontrar soluções multifuncionais extremamente sofisticadas. A pesquisa abre caminho para investigar como essa sinergia evoluiu não apenas nas esperanças, mas também em outros grupos que combinam camuflagem e comunicação.

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