Polícia Federal investiga contrato de Ibaneis com produtores do Dark Horse

Imagem: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

A teia de relações escusas que envolve o financiamento de Dark Horse — a cinebiografia chapa-branca do ex-presidente Jair Bolsonaro — ganhou um novo e explosivo capítulo. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de um inquérito específico para apurar as suspeitas de fraude envolvendo repasses de verbas públicas para a produtora do filme, no âmbito de uma rede de contratos sob investigação.

No centro da mira policial está um convênio de R$ 5 milhões assinado pelo Governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), com o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, empresária e sócia da produtora responsável pela produção do filme de Bolsonaro. O contrato original, no valor de R$ 4 milhões em dezembro de 2023, para instalação de um programa educacional nas escolas públicas do DF, recebeu um aditivo de R$ 1 milhão em janeiro de 2025.

A revelação do repasse no DF coincide com uma grande operação policial que mirou o mesmo Instituto Conhecer Brasil (ICB), investigado por supostas irregularidades em um contrato milionário de R$ 108 milhões (que atingiu R$ 157,1 milhões com aditivos) com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi na capital paulista. O caso aponta para a instrumentalização de parcerias com o poder público para capitalizar e nutrir a máquina de propaganda da extrema direita.

O envolvimento do governo do DF na órbita do filme Dark Horse, contudo, é muito mais profundo e financeiramente devastador do que o convênio escolar. Sob as rédeas políticas de Ibaneis Rocha, o Banco de Brasília (BRB), instituição pública do DF, protagonizou um dos maiores escândalos financeiros recentes ao despejar R$ 30,4 bilhões na compra de carteiras de crédito do Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, motivada pela descoberta de um esquema massivo de “ativos podres” e fraudes bilionárias, o BRB herdou um rombo patrimonial estimado em R$ 8,8 bilhões. Para evitar o colapso iminente do banco público do DF, o Supremo Tribunal Federal homologou um socorro financeiro de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tendo como garantia recursos das cotas do Fundo de Participação dos Estados e Municípios (FPE/FPM) do Distrito Federal.

A convergência entre o socorro bilionário ao BRB e as investigações da Polícia Federal sobre o contrato escolar do DF com a produtora do filme de Bolsonaro revela um padrão assustador: o erário público e os bancos estatais sob controle político foram drenados e expostos a riscos sistêmicos para, no fim da linha, alimentar os interesses privados e a propaganda da extrema direita.

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