Rússia alerta que Armênia pagará preço alto por trocar parceria com Moscou pela UE

Parlamentar russo discursa durante evento oficial. (Foto: rt.com)

O presidente da Duma da Rússia, Vyacheslav Volodin, alertou que a Armênia enfrentará um preço alto se prosseguir com a estratégia de romper laços comerciais com Moscou em favor de uma integração com a União Europeia. A declaração ocorre às vésperas das eleições parlamentares no país do Cáucaso, que são amplamente interpretadas como um referendo sobre o alinhamento geopolítico da ex-república soviética.

Volodin acusou o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, de enganar os eleitores ao minimizar os impactos negativos de sua proposta. O presidente da Duma reagiu diretamente à promessa de Pashinyan de que o orçamento do Estado compensaria os agricultores por eventuais perdas de acesso privilegiado ao mercado russo, um dos pilares da economia armênia.

Aparentemente, Pashinyan assumiu o compromisso pessoal de levar a Armênia para a UE, enquanto tenta empurrar os custos para a União Econômica Eurasiática e para a Rússia, escreveu Volodin, conforme reportagem do portal RT. Obviamente, ele não se importa com o destino do povo armênio e com a condição de Estado. Ele se importa em permanecer no poder.

Entre as principais consequências listadas pelo parlamentar russo estão um aumento de quase quatro vezes no preço do gás natural, atualmente importado com tarifas preferenciais da Rússia, e uma queda brusca nas remessas de cidadãos armênios que trabalham no mercado russo. Volodin também mencionou restrições mais duras para trabalhadores migrantes e a suspensão das exportações de produtos-chave, como frutas e vegetais, que dependem do selo fitossanitário reconhecido no bloco eurasiano.

A advertência faz parte de uma pressão crescente de Moscou para que a Armênia permaneça na União Econômica Eurasiática, que reúne Rússia, Cazaquistão, Belarus e Quirguistão. Bruxelas já sinalizou que a adesão simultânea à União Econômica Eurasiática e um acordo de associação com a União Europeia são incompatíveis, o que obrigaria Yerevan a uma escolha definitiva.

Volodin traçou um paralelo direto com a Ucrânia, argumentando que as expectativas de Kiev de obter maior acesso aos mercados europeus nunca se concretizaram. Em vez disso, as exportações agrícolas ucranianas passaram a enfrentar cotas tarifárias e outras barreiras, cenário que, segundo o dirigente russo, poderia se repetir no Cáucaso.

Dados da ONU citados na reportagem mostram que a Rússia respondeu por quase 24% das exportações armênias em 2024, sendo o segundo maior destino depois dos Emirados Árabes Unidos. As exportações totais da Armênia encolheram quase 35% no ano passado, na comparação anual, pressionadas pela redução das reexportações ligadas à Rússia e pela instabilidade no Oriente Médio.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também já havia afirmado que a adesão à União Econômica Eurasiática está rendendo dividendos concretos e alertou que a trajetória política atual do governo armênio pode levar a uma queda nos padrões de vida. Em contrapartida, Pashinyan declarou a jornalistas que um referendo sobre a entrada na União Europeia só ocorrerá se o país apresentar formalmente a candidatura ou se aproximar da obtenção do status de candidato.

O primeiro-ministro armênio descreveu como óbvios os benefícios da participação na União Econômica Eurasiática, mas argumentou que o bloco regional deveria criar novas oportunidades para o país. A tensão entre as promessas de integração ocidental e os vínculos econômicos profundos com Moscou segue como o dilema central do pleito legislativo.

Com informações de RT.

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