Representantes do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, intensificaram as gestões junto à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal para viabilizar um acordo de delação premiada. Os advogados do empresário estiveram em Brasília ao longo do mês passado para conversas com investigadores dos dois órgãos, conforme apurou o portal Metrópoles.
As negociações, no entanto, enfrentaram resistência para avançar. Interlocutores de Beto Louco afirmam que ele possui informações capazes de comprometer caciques importantes do União Brasil e do PL, o que explicaria a dificuldade em retomar as conversas.
A nova ofensiva ocorre meses após uma primeira tentativa frustrada de colaboração premiada. A proposta apresentada por Beto Louco foi considerada frágil pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que rejeitou abrir negociações formais com o empresário.
Inicialmente, as tratativas de delação começaram junto ao Ministério Público Federal no Paraná. O caso foi encaminhado à PGR em Brasília depois que Beto Louco passou a mencionar políticos com foro privilegiado em sua proposta de colaboração, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.
Com a negociação frustrada na capital federal, o empresário fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia. Alvo da operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo, ele delatou um esquema de fraude fiscal e pagamento de propina no setor de combustíveis baiano.
A avaliação dos aliados do empresário é de que a resistência da PGR em retomar as conversas se deve aos nomes de peso que seriam citados na delação. A nova investida busca reabrir o canal de negociação e convencer os investigadores da robustez das informações que Beto Louco afirma possuir.
A operação Carbono Oculto investiga um complexo esquema de sonegação fiscal e corrupção que teria causado prejuízos milionários aos cofres públicos. O acordo já firmado na Bahia demonstra que o empresário está disposto a colaborar com as autoridades em diferentes frentes de investigação.
A insistência dos representantes de Beto Louco em buscar a delação federal indica que o material oferecido pode ter alcance nacional. A cúpula da PGR ainda não se manifestou oficialmente sobre a nova rodada de conversas.