O ministro das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã, Abbas Araghchi, declarou em entrevista exclusiva que qualquer encerramento da guerra imposta por Estados Unidos e Israel ao país deve incluir obrigatoriamente o Líbano. A conversa foi conduzida por Ghassan Ben Jeddou, presidente da rede Al Mayadeen, e reproduzida pela agência Mehr News.
Segundo Araghchi, o Líbano pagou um preço elevado durante a guerra imposta a Teerã por Washington e Tel Aviv, e o governo iraniano sustenta, desde o primeiro dia de negociações, que qualquer cessar-fogo deve se estender a todas as frentes do Eixo da Resistência, com destaque especial para o território libanês. O chanceler enfatizou que Teerã não pretende intervir nos assuntos internos do Líbano, país que considera amigo e aliado, mas argumentou que as guerras contra Irã e Líbano foram vinculadas pela própria agressão militar israelense e, portanto, precisam ser concluídas simultaneamente.
Questionado sobre o significado exato de um ‘destino compartilhado’, o ministro foi categórico: ou a guerra termina nos dois países ou não termina em nenhum. Araghchi relatou que, quando o cessar-fogo foi alcançado, conversou com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e pediu expressamente que qualquer comunicado sobre o fim das hostilidades em todas as frentes mencionasse o Líbano de forma explícita — o que, segundo ele, acabou acontecendo.
Araghchi também abordou os relatos de que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria atuado para evitar um ataque israelense aos subúrbios ao sul de Beirute. Para o chanceler, o fator decisivo não foi a intervenção americana, mas a dissuasão exercida pelo Irã e pela Resistência libanesa. Ele revelou que Teerã comunicou a Washington e a governos regionais que qualquer grande ataque contra Beirute provocaria uma resposta das forças armadas iranianas e poderia levar ao colapso dos arranjos de cessar-fogo existentes.
Instituições militares iranianas, incluindo o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, emitiram alertas claros de que Teerã responderia se as violações do cessar-fogo continuassem. ‘O fator que determinou o curso dos acontecimentos foi a capacidade da Resistência e a prontidão de nossas forças armadas’, afirmou Araghchi, acrescentando que vários países entraram em contato com Washington pedindo moderação e que, no final, o ataque planejado ao subúrbio sul beirutense foi impedido.
O ministro confirmou que as trocas indiretas entre Teerã e Washington permanecem ativas, apesar das tensões. Embora as negociações formais tenham desacelerado, mensagens continuam sendo intercambiadas, e o Irã comunicou recentemente suas preocupações sobre as ações israelenses em Beirute diretamente a funcionários americanos. Araghchi reiterou que o Irã não busca uma guerra prolongada, mas está plenamente preparado para um conflito de longa duração, e que as capacidades militares do país estão hoje mais fortes do que antes da guerra, graças aos avanços na produção doméstica de defesa.
Sobre o Hezbollah, o chanceler iraniano rejeitou as alegações de que Teerã teria vinculado os dossiês libanês e iraniano por conveniência estratégica, afirmando que foi Israel quem criou essa conexão por meio de sua agressão militar simultânea. ‘Jamais esqueceremos o povo libanês, nossos amigos e entes queridos no Líbano, que foram alvo de Israel’, declarou, reforçando que o Hezbollah é um componente fundamental do tecido político, social e cultural libanês e não pode ser removido ou ignorado, apesar de todos os esforços israelenses para enfraquecer o movimento.
O chanceler também afirmou que o martírio de figuras centrais da Resistência, como o general Qassem Soleimani e o secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, não enfraqueceu os movimentos — ao contrário, fortaleceu sua determinação e expandiu suas fileiras. Para Araghchi, as avaliações ocidentais que apostavam no colapso do Irã e de seus aliados após a eliminação de lideranças se provaram completamente equivocadas, e o atual secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, superou todas as expectativas em sua condução do movimento durante um período crítico.
Por fim, Araghchi afirmou que o Irã considera o assassinato de Nasrallah um crime de guerra cometido por Estados Unidos e Israel, e que Teerã não esquecerá nem deixará de buscar a responsabilização dos culpados por meio de esforços políticos e jurídicos contínuos. O chanceler insistiu que o Irã prefere uma solução negociada baseada em ‘dignidade, igualdade e respeito mútuo’, mas alertou que responderá de forma decisiva a qualquer novo ataque contra o país.