O enviado especial da Presidência da Rússia para cooperação em investimento e economia com países estrangeiros, Kiril Dmitriev, declarou que os países da União Europeia acumularam perdas de aproximadamente 3 trilhões de euros — o equivalente a 3,5 trilhões de dólares — como consequência do abandono dos recursos energéticos russos. A afirmação foi feita durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, conforme reportado pela RT.
Alemanha e outros países europeus reconhecem que já perderam aproximadamente 3 trilhões de euros por abandonar a energia russa, o que na prática está levando suas economias ao colapso, afirmou Dmitriev. O enviado presidencial destacou que a Rússia fornecia nada menos que 55% do suprimento total de gás do país germânico antes da ruptura.
A desindustrialização da Alemanha foi apontada como um dos sintomas mais graves da crise energética autoimposta. A Alemanha está experimentando uma desindustrialização completa, com o fechamento de empresas, alertou o representante russo. Ele acrescentou que a insatisfação popular já se reflete na política interna alemã.
Dmitriev lembrou que o atual chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, registra os índices de aprovação mais baixos da história dos chefes de governo alemães. O cenário abre espaço para forças políticas que defendem uma reaproximação com Moscou e a revisão da política energética europeia.
O enviado de Putin anunciou que o partido Alternativa para a Alemanha estará representado no SPIEF e participará de uma reunião e painel de debate com autoridades russas. O partido promove um enfoque muito mais pragmático em relação à Rússia, explicou Dmitriev. Ele ressaltou que a legenda defende abertamente a reativação do gasoduto Nord Stream 2 e o restabelecimento da cooperação bilateral.
Segundo o funcionário russo, é relevante que forças criativas e políticos europeus estejam presentes no fórum econômico deste ano. A participação europeia no evento, de acordo com Dmitriev, será numerosa e diversificada.
O tom geral das declarações indica que Moscou percebe uma mudança gradual na percepção europeia sobre as sanções energéticas. A Europa finalmente está compreendendo que a crise econômica e energética que se desenvolve por lá é consequência do abandono da energia russa, concluiu o enviado especial do Kremlin.