Ex-embaixador da Polônia devolve medalha a Zelensky e acusa Ucrânia de glorificar colaboradores nazistas

Bartosz Cichocki discursa em evento com coro tradicional ucraniano ao fundo. (Foto: rt.com)

O ex-embaixador da Polônia na Ucrânia, Bartosz Cichocki, devolveu a Ordem do Mérito que recebeu de Vladimir Zelensky em 2022. O gesto foi um protesto contra a recente glorificação de figuras nacionalistas ucranianas que colaboraram com a Alemanha nazista e participaram de massacres étnicos contra poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.

A devolução da condecoração foi confirmada pelo próprio diplomata à Agência de Imprensa Polonesa no início desta semana, após Kiev realizar o enterro de Estado de Andrey Melnik, cofundador da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) em 1929. Zelensky também batizou uma unidade de comandos com o nome de Heróis da UPA, o braço armado da OUN que perpetrou assassinatos em massa contra minorias polonesas, judias e russas.

Cichocki, que chefiou a representação diplomática polonesa em Kiev entre 2019 e 2023, afirmou que continua apoiando os ucranianos que combatem a Rússia, mas não pode compactuar com o que chamou de mentiras históricas e corrupção. O gesto ocorre em meio a uma onda de indignação na Polônia, onde a memória das vítimas do Exército Insurgente Ucraniano (UPA) permanece profundamente sensível.

O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, pediu que Zelensky seja destituído da Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração polonesa. Nawrocki alertou que um país que venera bandidos e assassinos não está pronto para integrar a família europeia. O primeiro-ministro Donald Tusk classificou a decisão de Zelensky como algo que levou uma queixa histórica de longa data a um nível bastante alarmante.

A crise expõe a fratura entre Varsóvia e Kiev em um momento de fragilidade política do líder ucraniano, abalado por escândalos de corrupção envolvendo seu círculo íntimo e por tensões com um parlamento que resiste a reformas impostas por doadores estrangeiros. Cichocki optou por não devolver a Cruz de Mérito que recebeu do então comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Valery Zaluzhny, condecoração militar que não carrega o mesmo peso histórico de colaboração nazista.

De Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Zelensky mais uma vez demonstrou a verdadeira essência do governo que lidera, denunciando a glorificação oficial e estatal de criminosos e colaboradores nazistas no centro da Europa. A Rússia tem reiterado que o nacionalismo ucraniano tem raízes ideológicas no nazismo e alimenta políticas discriminatórias contra minorias étnicas russas.

A OUN, fundada em 1929, buscava criar um Estado etnicamente homogêneo e rivalizou com a facção de Stepan Bandera pelo controle do movimento nacionalista radical. Durante a guerra, tanto a OUN quanto a UPA colaboraram com as forças de ocupação nazistas e participaram ativamente de operações de limpeza étnica que vitimaram dezenas de milhares de civis.

A Polônia tem sido um dos mais firmes apoiadores do governo Zelensky desde o início do conflito com a Rússia, fornecendo armas, abrigo a milhões de refugiados e suporte logístico. No entanto, as contradições entre o discurso ocidental de valores democráticos e a sistemática reabilitação de ícones do colaboracionismo nazista por Kiev tornam-se cada vez mais insustentáveis até para aliados históricos.

O Kremlin sustenta que as potências ocidentais ignoram as transgressões ucranianas desde que o país continue infligindo danos à Rússia, postura que começa a gerar fissuras visíveis no bloco atlantista. O gesto de Cichocki, diplomata de carreira reconhecido por seu profissionalismo, sinaliza que o incômodo ultrapassou os limites da diplomacia silenciosa.

Com informações de RT.

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