Reino Unido obriga Google a criar botão de fuga para sites em buscas de IA

Ilustração editorial sobre Reino Unido obriga Google a criar botão de fuga para sites em buscas de IA. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O Reino Unido impôs barreiras legais ao avanço das buscas com inteligência artificial do Google, forçando a empresa a oferecer uma rota de escape para publishers. A partir de agora, qualquer site poderá optar por não ter seu conteúdo exibido nos recursos generativos de busca da empresa, como os populares AI Overviews e AI Mode.

O anúncio foi feito pelo próprio Google, em cumprimento às exigências da Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA). A companhia habilitou um novo interruptor em seu Search Console — ferramenta gratuita usada por administradores de sites para gerenciar sua presença nos resultados de busca — que permite remover instantaneamente o conteúdo de um domínio de todas as funcionalidades de IA generativa.

Segundo reportagem do TechCrunch, a medida é descrita pela CMA como uma estreia mundial na devolução do controle aos produtores de conteúdo. O órgão regulador britânico destaca que a nova regra coloca organizações jornalísticas e outros publishers em posição mais forte para negociar acordos comerciais com o Google pelo uso de seus materiais nos recursos de inteligência artificial.

O Google, naturalmente, fez questão de exibir sua musculatura no mesmo comunicado em que anunciou a conformidade regulatória. A empresa revelou que seus AI Overviews já ultrapassaram 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, enquanto o AI Mode — uma experiência de busca inteiramente generativa — superou a marca de um bilhão de usuários por mês.

A CMA havia designado o Google como detentor de status estratégico de mercado em outubro do ano passado, pavimentando o terreno para intervenções regulatórias mais duras. Em janeiro, o órgão pressionou a empresa a dar aos editores de sites uma escolha real sobre se seu conteúdo seria agregado nos recursos de IA ou usado para treinar modelos autônomos.

Além da opção de exclusão, o Google também foi obrigado a garantir que o conteúdo de publishers exibido nos recursos de IA seja devidamente atribuído, com links claros e visíveis. A empresa afirmou que está cumprindo essa exigência, tendo aumentado recentemente o número de links incorporados diretamente em suas respostas geradas por inteligência artificial e adicionado prévias de sites para incentivar os cliques.

Um ponto crucial para acalmar os receios dos editores: a decisão de um site de se retirar das buscas generativas de IA não será usada como sinal de ranqueamento na busca tradicional do Google. Ou seja, quem optar por sair do ecossistema de IA não será punido com quedas nas posições orgânicas convencionais.

A gigante de Mountain View, no entanto, não larga o osso sem uma estratégia de persuasão. O Google apresentará novas métricas em seu Search Console para tentar demover publishers que estejam considerando a exclusão, incluindo dados de impressões e informações sobre quais páginas aparecem nas respostas de IA e em quais países. O teste inicial da funcionalidade de opt-out será conduzido com um subconjunto de publishers do Reino Unido antes de sua implementação global.

A empresa prometeu que mais métricas serão adicionadas ao longo do tempo, em uma clara tentativa de convencer os produtores de conteúdo de que vale a pena permanecer dentro de seu ecossistema de inteligência artificial. A regulação britânica representa um contrapeso importante ao poder concentrado das plataformas americanas de tecnologia, que nos últimos anos passaram a sugar e reorganizar o conteúdo da web sem qualquer consentimento explícito de quem o produziu. Resta saber se outros países seguirão o exemplo e imporão limites semelhantes ao extrativismo digital das big techs.

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