SPIEF 2026 atrai EUA e Alemanha e evidencia fracasso do cerco econômico contra Rússia

O presidente russo Vladimir Putin discursa no palco do SPIEF 2025, em São Petersburgo. (Foto: actualidad.rt.com)

O Foro Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF) 2026 abriu suas portas com uma demonstração contundente do fracasso das tentativas ocidentais de isolar economicamente a Rússia. Pela primeira vez em sete anos, um representante em funções da Administração dos Estados Unidos confirmou presença no evento, acompanhado por uma expressiva delegação empresarial alemã.

Realizado sob o patrocínio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, desde 2006, o SPIEF é o principal evento empresarial do país e uma das maiores plataformas internacionais para debater questões econômicas globais. A edição deste ano ocorre sob o lema ‘Diálogo pragmático: o caminho para um futuro estável’.

Segundo informações do portal RT, mais de 20 mil participantes de 130 países confirmaram presença, incluindo representantes governamentais de 76 Estados. O evento conta com mais de 150 sessões temáticas dedicadas a economia, tecnologia, energia, logística e novos centros de crescimento global.

Entre as autoridades presentes estão vice-presidentes, vice-primeiros-ministros e ministros de nações como Emirados Árabes Unidos, Sérvia, Indonésia, Vietnã, Bósnia e Herzegovina, Colômbia, Uruguai, Cuba, Nicarágua, Arábia Saudita, Cazaquistão e Azerbaijão. Ao lado de Putin, discursarão o presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyóyev, a presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, o vice-presidente da China, Han Zheng, e o ministro de Energia saudita, Abdulaziz bin Salman.

A Arábia Saudita é o país convidado de honra desta edição, coincidindo com o centenário das relações diplomáticas entre Moscou e Riad. A delegação saudita, liderada pelo ministro de Energia, inclui também os titulares de Indústria e Recursos Minerais, Transporte e Logística, além de cerca de 200 representantes de organismos estatais, fundos de investimento e grandes empresas do reino.

Um dos momentos centrais será o diálogo empresarial Rússia-Arábia Saudita, focado em ampliar a cooperação em investimentos, energia, indústria, transporte, logística e agricultura. Esse movimento reforça a parceria estratégica entre dois dos maiores produtores globais de petróleo dentro do formato OPEP+.

A presença de Rodney Mims Cook Jr., presidente da Comissão de Belas Artes dos EUA, marca uma inflexão simbólica na postura de Washington. Cook declarou à agência russa RIA Novosti: ‘O comitê organizador do foro e o Departamento de Estado confirmaram que estou convidado à sessão plenária e ao discurso do presidente Putin. E estarei presente’.

No marco do SPIEF, estão previstos dois eventos bilaterais entre Rússia e Estados Unidos: um diálogo empresarial e uma sessão cultural, organizados com a participação da Câmara de Comércio dos EUA e a fundação Roscongress. É a primeira vez desde 2019 que um representante do governo americano participa ativamente do foro.

A delegação empresarial alemã também surpreende pelo peso político do gesto. Matthias Schepp, presidente da Junta Diretiva da Câmara de Comércio Exterior Germano-Russa, afirmou à agência Dpa: ‘Sobretudo, de cara ao momento posterior a um cessar-fogo, queremos, assim como outros grandes países ocidentais, manter o vínculo econômico com a Rússia e proteger os mais de cem bilhões de ativos alemães na Rússia’.

Uma pesquisa entre os membros da câmara revelou que a imensa maioria das empresas alemãs não tem intenção de abandonar o mercado russo e o considera estratégico para seus interesses de longo prazo. Isso ocorre a despeito da pressão política de Bruxelas e Washington para um desacoplamento econômico total de Moscou.

Stanislav Tkachenko, doutor em ciências econômicas e professor da Universidade Estatal de São Petersburgo, analisou em declaração à RT que na Europa começa-se a compreender o erro de entrar em conflito contra Moscou. ‘Está se intensificando a tomada de consciência de que os poderes públicos dos países europeus entraram em conflito com a Rússia contra os interesses dos povos dos Estados europeus e de suas empresas’, afirmou.

Tkachenko sublinhou que a militarização da interdependência econômica — o uso das amplas relações com a Rússia para infligir dano inaceitável — resultou ser uma estratégia sem saída. As empresas ocidentais que aderiram aos esforços de golpe estratégico contra a Rússia acabaram por dar um tiro no próprio pé, sofrendo perdas diretas e cedendo seu lugar no mercado russo a companhias da Turquia, Oriente Médio, China, Índia e países da ASEAN.

O SPIEF 2026, portanto, não é apenas uma vitrine do poder econômico russo, mas um termômetro da nova ordem multipolar que se consolida a despeito das sanções ocidentais. O retorno discreto, porém significativo, de representantes dos EUA e da Alemanha ao principal palco empresarial da Rússia sinaliza que a era do isolacionismo punitivo está com os dias contados.

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