A empresa japonesa Terra Drone anunciou em março de 2026 sua entrada em larga escala no mercado de equipamentos de defesa e um investimento estratégico na Amazing Drones, companhia que desenvolve e fabrica drones interceptadores na Ucrânia.
Em abril, a Terra Drone anunciou o desdobramento operacional do drone interceptador de curto alcance Terra A1, desenvolvido em parceria com a Amazing Drones. A primeira interceptação bem-sucedida de uma ameaça aérea não tripulada de longo alcance foi anunciada no final do mês.
Ainda em abril, a Terra Drone anunciou um segundo investimento estratégico, desta vez na WinnyLab, empresa ucraniana de tecnologia de defesa que fabrica drones interceptadores de asa fixa e integra software relacionado. Essa capacidade de asa fixa foi utilizada no drone Terra A2 de maior alcance, desdobrado em maio.
O Terra A1 é um interceptador de alta mobilidade projetado para desdobramento rápido, lançamento instantâneo e interceptação de curto alcance em alta velocidade. Ele acelera até 200 quilômetros por hora em 10 segundos após o lançamento, voa a uma velocidade máxima de 302 km/h e tem alcance operacional de até 32 km.
O Terra A2 possui velocidade máxima de 310 km/h, tempo máximo de voo de 40 minutos e alcance operacional de até 75 km.
No final de março, a UNITED24 Media, iniciativa do governo da Ucrânia, reportou que o Japão planeja produção de drones interceptadores na Ucrânia, mas não da maneira convencional.
Falando em uma coletiva de imprensa conjunta com a Amazing Drones em Kiev em 31 de março, o CEO da Terra Drone, Toru Tokushige, disse que construir uma grande fábrica da maneira normal a transforma em alvo. Engenheiros ucranianos já possuem conhecimento sobre como descentralizar a produção e operar sob ameaça constante, e a empresa está aprendendo com isso.
A Terra Drone favorece produção descentralizada em pequena escala, o que também reduziria o risco de baixas entre os engenheiros japoneses e especialistas em produção que Tokushige planeja enviar à Ucrânia.
Tokushige afirmou que a coisa mais importante no momento é o desdobramento em combate real, e é nisso que estão trabalhando.
O CEO da Amazing Drones, Maksym Klymenko, declarou que o principal desafio é escalar em uma guerra em larga escala, com ameaças constantes, ataques e riscos de segurança. Há também escassez de pessoal, mas ele acredita que esses desafios podem ser superados.
De volta a Kiev em 28 de abril para falar sobre ampliar a produção dos drones interceptadores Terra A1 e Terra A2, Tokushige disse que a Ucrânia tem vantagens como velocidade de desenvolvimento e baixo custo. Mas também há desafios, como falta de experiência em produção em massa e operação em mercados globais, além de escassez de tecnologias-chave. Muitos processos ainda são manuais, o que complica a escalabilidade, especialmente além do país.
Em 28 de abril, a Terra Drone também anunciou que um drone Terra AI desenvolvido conjuntamente com a Amazing Drones demonstrou sua capacidade de responder a ameaças aéreas não tripuladas de longo alcance sob condições operacionais reais, representando um marco importante na validação da eficácia do Terra A1 em ambientes operacionais do mundo real.
Tokushige afirmou que um dos drones A1 já interceptou com sucesso um Shahed. Isso é crítico porque no campo militar o que mais importa não são certificações, mas desempenho comprovado em combate. Sem isso, é impossível vender.
Drones Shahed são veículos aéreos de combate não tripulados projetados pela Shahed Aviation Industries do Irã. Eles são fabricados tanto no Irã quanto na Rússia, sendo que a versão russa foi aprimorada.
A Terra Drone desenvolveu um conceito de defesa em camadas combinando drones interceptadores com capacidades complementares. Tokushige explicou que é impossível defender usando apenas um tipo de sistema. São necessárias múltiplas camadas de curto, médio e longo alcance, com diferentes velocidades. O A1 é uma camada, e o novo A2 é a camada intermediária. Outro tipo também está em desenvolvimento.
A Terra Drone também planeja introduzir drones movidos a jato capazes de voar até 440 km/h com alcance de até 140 km.
Tokushige disse que na Ucrânia tais soluções já estão sendo desenvolvidas, sejam drones ou mísseis de baixo custo. O ritmo de desenvolvimento ali não é de 10 a 20 anos como nas indústrias de defesa tradicionais, mas literalmente seis meses.
Material de referencia publicado por Asia Times.