USTR usa tarifas e Pix para atacar STF e blindar Flávio Bolsonaro em 2026

Ilustração editorial sobre Ustr usa tarifas e pix para atacar STF e blindar Flávio Bolsonaro em 2026. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma nova frente de ataque institucional contra o Brasil, mirando as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que derrubam perfis e conteúdos da extrema direita bolsonarista. A ofensiva, que inclui ainda questionamentos ao Pix e a acordos tarifários do Mercosul, foi interpretada pelo colunista Luís Nassif como uma tentativa de reeditar a estratégia da Lava Jato para deslegitimar as cortes brasileiras e pavimentar o caminho eleitoral de um candidato alinhado a Donald Trump em 2026.

Segundo a análise publicada pelo Jornal GGN nesta quarta-feira, 3 de junho, a primeira tentativa de desestabilização, o tarifaço do governo Trump, produziu um efeito bumerangue ao fortalecer a liderança global do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e escancarar o isolamento americano. O recuo forçado de Washington não encerrou o cerco, apenas o remodelou numa versão mais sofisticada, ancorada agora em braços institucionais como o USTR, que buscam constranger o Judiciário brasileiro sob alegações comerciais.

O novo embate é detalhado numa petição do USTR que acusa as cortes brasileiras de emitir ordens secretas que mandam plataformas americanas remover conteúdo político e suspender perfis, inclusive de residentes nos Estados Unidos, com repercussão global. A representação comercial alega ainda que as multas pesadíssimas, o bloqueio de ativos e até a derrubada de sites inteiros são usados para amordaçar vozes alinhadas ao bolsonarismo, sem direito de defesa ou transparência.

O que a USTR classifica como “barreiras ao comércio digital” é, na prática, uma blindagem da rede de desinformação que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu clã montaram nas redes sociais. Ao atacar a prerrogativa do TSE de remover fake news e perfis que atentam contra a democracia, Washington cria um constrangimento permanente: a cada decisão judicial contra um influenciador bolsonarista, o Brasil poderá sofrer represálias econômicas, numa forma de chantagem institucional.

Não é à toa que o mesmo documento do USTR inclui críticas ao Pix, apontado como um “campeão nacional” que desfavoreceria empresas americanas de pagamento eletrônico. A menção, aparentemente deslocada, revela o verdadeiro alvo: minar a infraestrutura digital soberana que permitiu ao governo Lula reduzir a dependência de redes privadas e ampliar a inclusão financeira, enfraquecendo também um instrumento que hoje impede a financeirização total das transações no país.

A trama se conecta diretamente ao escândalo do Banco Master. A Polícia Federal já identificou os vínculos do banqueiro Daniel Vorcaro com o senador Flávio Bolsonaro, com o ex-ministro Ciro Nogueira e com operações do Banco Regional de Brasília (BRB), num emaranhado que expôs o uso do sistema financeiro para sustentar a máquina política bolsonarista. A tentativa de transformar as investigações em uma “Lava Jato 2” visa justamente inverter a culpabilidade, vendendo a narrativa de que o STF seria o algoz de agentes de mercado, quando está diante de um esquema concreto de desvio de finalidade.

Nassif lembra que a parceria entre peritos federais lavajatistas e jornalistas do mesmo campo ficou escancarada desde o início do caso, com o roteiro de primeiro desqualificar o Supremo para depois liberar o partido digital da ultradireita. A operação de dentro do Estado americano, com a assinatura do USTR, acrescenta agora o peso da maior potência do planeta a esse roteiro, tentando queimar a legitimidade das cortes perante investidores e formadores de opinião internacionais.

O tarifaço anterior fracassou porque a reação firme de Lula, somada ao desastre inflacionário nos Estados Unidos, isolou a Casa Branca e obrigou Trump a recuar e a buscar uma aproximação forçada com o presidente brasileiro. Agora, o ataque é travestido de discussão técnica sobre comércio, mas mantém o mesmo propósito de desestabilizar um governo que o bolsonarismo não consegue derrotar nas urnas nem na política tradicional.

Para as eleições de 2026, esse movimento é uma peça central na engrenagem golpista. Se Flávio Bolsonaro consolidar o controle do PL com dinheiro de origem nebulosa e blindagem internacional, a chapa bolsonarista dependerá cada vez menos de votos reais e cada vez mais da coerção digital e da intimidação judicial patrocinada pela potência estrangeira. O roteiro reproduz a velha cartilha das intervenções americanas na América Latina, agora aplicada com foco no desmonte do sistema de Justiça Eleitoral.

A investida do USTR em relação ao Mercosul reforça o padrão: além do comércio digital, os americanos reclamam que o Brasil concede tarifas preferenciais a México e Índia em setores onde esses países são competitivos globalmente. Soa como um ataque direto à política externa independente do governo Lula, que tem ampliado parcerias com o Sul Global e fortalecido o BRICS como contraponto à hegemonia do dólar e das big techs americanas.

Com informações de Jornal GGN.

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