Flávio Bolsonaro enfrenta isolamento político brutal e silêncio de aliados na crise do Pix

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está experimentando um tipo de solidão política que nenhum membro do clã gostaria de viver: o abandono discreto, mas ensurdecedor, dos seus próprios aliados. A crise do “Tariflávio” — como foi batizada a tentativa do governo Trump de mirar diretamente no Pix — expôs um racha que vai muito além da retórica de campanha.

A análise é do colunista Ricardo Noblat, que em seu programa no Metrópoles desta quarta-feira (3) destrinchou o isolamento crescente do senador. O pânico de se queimar com o eleitor fez com que aliados simplesmente lavassem as mãos diante do ataque ao sistema de pagamentos mais popular do Brasil.

A paralisia atinge também a direita não bolsonarista, que optou pelo silêncio absoluto. Defender um ataque ao Pix seria um suicídio político de proporções monumentais, e ninguém quis pagar esse preço por Flávio Bolsonaro.

Nikolas Ferreira some do mapa

O caso mais emblemático do abandono é o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), eleito com quase 1,5 milhão de votos em 2022 e tratado como joia da nova direita. Nos bastidores, cobra-se dele o fato de não ter gasto um byte sequer de suas redes sociais para defender o Pix ou o clã Bolsonaro nesta crise.

O silêncio de Nikolas é estrondoso justamente porque ele construiu sua persona pública em torno do combate digital. Se nem o deputado-influenciador, com seu alcance milionário, se dispõe a entrar nessa trincheira, o recado para Flávio é claro: a fatura do “Tariflávio” é alta demais para ser rachada.

O episódio escancara o cálculo político que move a base bolsonarista quando o risco eleitoral se torna concreto. A lealdade ao clã vale até a página em que o próprio mandato começa a ser ameaçado pela rejeição popular.

O fantasma de Vorcaro

Se o fiasco internacional já era ruim, o cenário doméstico é ainda mais ameaçador para o senador. Noblat lembra que ronda Flávio Bolsonaro a iminente segunda tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e personagem central de investigações sensíveis.

A primeira proposta de delação foi rejeitada, mas Vorcaro já apresentou nova versão à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. O conteúdo desse material é tratado como dinamite pura nos corredores de Brasília, e o simples fato de estar sob análise já corrói a blindagem política do senador.

O isolamento político, portanto, não é apenas uma questão de conveniência momentânea. Ele reflete o cálculo frio de aliados que enxergam, no horizonte próximo, um risco jurídico que pode contaminar quem estiver por perto.

A solidão de Flávio Bolsonaro é o sintoma mais visível de um projeto político que começa a ruir pela própria lógica que o sustentava: quando o custo de defender o clã supera o benefício eleitoral, até os mais fiéis encontram outros compromissos na agenda.

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