Plasma solar canibal a caminho da Terra promete auroras em locais incomuns

Representação artística de ejeção de massa coronal (CME) solar em formação no espaço. (Foto: olhardigital.com.br)

Uma ejeção de massa coronal (CME) do tipo canibal, formada pela fusão de duas grandes nuvens de plasma solar, avança em direção à Terra e pode atingir o planeta entre a tarde desta quinta-feira e a madrugada de sexta-feira. Caso as previsões se confirmem, o fenômeno poderá desencadear fortes tempestades geomagnéticas e aumentar as chances de observação de auroras em latitudes incomuns da Europa e da América do Norte.

O evento teve origem em erupções na mancha solar 4455, uma das regiões mais ativas do Sol atualmente. Durante o trajeto, uma ejeção mais rápida alcançou outra emitida antes, fundindo-se em uma única nuvem de partículas superaquecidas e campos magnéticos. Esse fenômeno é chamado de CME canibal e costuma ser especialmente eficiente na geração de tempestades geomagnéticas. A combinação das ejeções concentra mais energia e produz interação mais intensa com o campo magnético terrestre.

O Sol está no auge do Ciclo Solar 25, período de 11 anos de atividade máxima em que manchas solares concentram energia. As linhas magnéticas emaranhadas podem se romper e gerar explosões massivas que disparam jatos de plasma e radiação. De acordo com a plataforma Spaceweather.com, a chegada da CME pode provocar tempestade geomagnética de categoria G3 (forte) na escala de G1 a G5, podendo atingir G4 (severo) em alguns períodos. A Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) projeta os picos de atividade entre 15h e 18h e novamente entre 21h e 23h no horário de Brasília.

Como várias ejeções solares estão se aproximando ao mesmo tempo e podem interagir durante o trajeto, ainda há incertezas sobre o horário exato de chegada e a potência final da tempestade. Os especialistas não esperam uma repetição da histórica tempestade de maio de 2024, mas o evento atual pode proporcionar um espetáculo significativo. Quando partículas solares atingem a magnetosfera terrestre, podem desencadear distúrbios geomagnéticos que geram auroras. Em eventos mais intensos, as luzes coloridas deixam de ser restritas às regiões polares e se tornam visíveis em áreas mais ao sul do Hemisfério Norte.

Outro fator que mantém os pesquisadores atentos é o comportamento da mancha solar 4455, uma rara mancha anti-Hale com polaridade magnética invertida. Essa condição favorece instabilidades e aumenta a probabilidade de novas explosões, como as erupções M9.3, M7.7 e uma de classe X1 registradas nas últimas 24 horas. As informações foram divulgadas pelo Olhar Digital, com base em dados da Spaceweather.com e da NOAA. A cobertura destaca a raridade do fenômeno e a expectativa de um espetáculo celeste para observadores do céu.

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