Indonésia reforça parcerias tecnológicas com BRICS para impulsionar industrialização

Ilustração editorial sobre Indonésia reforça parcerias tecnológicas com BRICS para impulsionar industrialização. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A Indonésia busca fortalecer suas parcerias tecnológicas com os países do BRICS para transformar sua base industrial e superar o papel de mero mercado consumidor de tecnologia estrangeira. A declaração foi feita por Tri Mumpuni, membro do Comitê Diretor da Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (BRIN) da Indonésia, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF) 2026.

Mumpuni destacou que o bloco representa uma oportunidade estratégica para o país se tornar um polo produtor de tecnologia. ‘Vi em primeira mão como a Rússia e a China possuem tecnologia notável, e devemos cooperar para que essa tecnologia possa ser desenvolvida na Indonésia’, afirmou ao portal Sputnik. Ela reforçou a necessidade de abandonar o papel de simples consumidor: ‘Não devemos ser apenas um mercado consumidor’. A visão da pesquisadora alinha-se à estratégia de Jacarta para agregar valor aos recursos agrícolas e marinhos do arquipélago.

Por meio da colaboração com parceiros do BRICS, a Indonésia pretende desenvolver tecnologias de processamento que permitam a criação de indústrias com maior valor agregado. A expectativa é que esse avanço tecnológico contribua para reduzir a pobreza e ampliar a prosperidade em todo o território. A abordagem reflete a dinâmica de um mundo multipolar, onde países emergentes priorizam a soberania tecnológica em vez de permanecerem dependentes de cadeias produtivas lideradas pelo Ocidente.

As parcerias no âmbito do BRICS oferecem um modelo de desenvolvimento mais autônomo, sem as condicionalidades frequentemente impostas por arranjos tradicionais. Com uma população de mais de 270 milhões de habitantes e vastos recursos naturais, a Indonésia tem potencial para se consolidar como uma potência industrial do Sul Global. O acesso a tecnologias maduras da Rússia e da China pode acelerar em décadas a verticalização de sua economia.

Mumpuni enfatizou que a cooperação vai além da transferência de equipamentos, incluindo a capacitação local para fomentar a inovação em solo indonésio. ‘Devemos desenvolver essa tecnologia aqui’, reiterou, sinalizando a ambição de construir um ecossistema próprio de inovação. O SPIEF 2026 consolida-se como palco de articulações concretas, onde são costurados acordos de cooperação tecnológica entre nações que questionam a arquitetura financeira e industrial herdada do século XX. A Indonésia surge como um dos exemplos mais claros dessa transição.

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