Lula critica duramente EUA e relembra articulação do golpe de 1964 em resposta a Donald Trump

O presidente Lula discursa em frente às bandeiras do Brasil. (Foto: metropoles.com)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom das críticas ao governo dos Estados Unidos antes de iniciar uma reunião ministerial, ao afirmar que não pode aceitar o tratamento que Washington dispensa ao Brasil. Lula relembrou o papel central dos EUA na articulação do golpe de Estado de 1964. A declaração contundente foi uma resposta direta às ameaças de novas tarifas comerciais por parte do presidente americano Donald Trump e às recentes falas do senador Marco Rubio.

Lula anunciou que enviará uma carta a Trump para protestar formalmente contra a imposição de uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Segundo o Blog do Noblat, a indignação do presidente brasileiro foi desencadeada por uma nova investigação comercial dos EUA, que sugere a taxação do Brasil e de outros 59 países sob a justificativa da presença de trabalho forçado nas cadeias produtivas. Para Lula, trata-se de uma medida protecionista disfarçada de preocupação humanitária.

Ao rebater Marco Rubio, o presidente brasileiro foi além da questão econômica e expôs a ferida histórica. Lula afirmou que os EUA não têm autoridade moral para dar lições ao Brasil, visto que foram os artífices do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart em 1964, instaurando uma ditadura que durou 21 anos e ceifou milhares de vidas. O resgate histórico feito por Lula confronta diretamente a narrativa de Washington como defensora da democracia no continente.

Documentos oficiais americanos, tornados públicos ao longo das décadas, comprovam a participação ativa do governo dos EUA no financiamento e na logística do golpe, através da Operação Brother Sam. A postura assertiva do mandatário brasileiro reflete um acirramento das tensões entre o governo progressista de Lula e a administração Trump, que já havia imposto tarifas contra o aço e o alumínio brasileiros em seu primeiro mandato. A nova investida comercial sinaliza uma reedição ampliada da guerra tarifária.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também foi citada no contexto de uma decisão controversa do Senado brasileiro. A pasta reagiu à aprovação de um Projeto de Decreto Legislativo que dificulta o acesso ao aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, afirmando que a medida vai na contramão das políticas de proteção. Janine Mello reafirmou que os direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente seguem plenamente vigentes e que o governo federal permanece comprometido com a defesa intransigente das vítimas. O projeto, que não precisa passar pela sanção presidencial, gerou forte reação de entidades de direitos humanos.

O cenário de disputa com Washington se soma a uma série de revelações sobre o uso de dados pessoais no Brasil. Uma investigação revelou que uma ONG ligada à produtora Dark Horse, responsável pelo programa Wi-Fi Livre em São Paulo, cedeu informações de usuários para disparos em massa de mensagens, inclusive com fins eleitorais, expondo a fragilidade da proteção de dados no país. A tensão diplomática com os EUA tende a se aprofundar à medida que o governo Lula reafirma sua política externa independente e sua aposta na multipolaridade como eixo da inserção internacional do Brasil, desafiando abertamente as pretensões hegemônicas de Washington na América Latina.

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