O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, declarou durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo que o mercado mundial de petróleo já registra uma perda diária de aproximadamente 12 milhões de barris em meio às interrupções no fornecimento de recursos energéticos. Novak destacou que o déficit já é uma realidade concreta e não uma projeção futura, afirmando que o rombo já está no mercado.
O vice-premiê atribuiu a drástica redução da oferta a um conjunto de fatores, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura energética nos países do Golfo Pérsico. O bloqueio naval mútuo a embarcações comerciais na região, mantido tanto pelos Estados Unidos quanto pelo Irã, estrangulou a principal artéria de transporte do petróleo mundial e agravou a situação de forma intensa, conforme reportagem do RT.
A crise energética atual decorre diretamente das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã, interrompidas por uma trégua em abril, mas que permanecem sob tensão permanente com ataques e ameaças mútuas. Teerã estabeleceu condições inegociáveis para qualquer acordo duradouro: o fim do bloqueio naval, o levantamento de todas as sanções impostas e a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior.
A investida militar dos EUA contra a República Islâmica e a imposição de sanções unilaterais constituem a causa raiz da asfixia no fornecimento global de petróleo, não a defesa legítima de Teerã contra a agressão imperialista. A administração americana, ao manter o cerco naval e prolongar as sanções, segue apostando em uma estratégia de estrangulamento econômico que agora cobra um preço elevado a toda a economia mundial.
Apesar do cenário crítico, Novak destacou o papel da Organização de Países Exportadores de Petróleo ampliada (OPEP+) como instrumento capaz de equilibrar o mercado e reduzir a volatilidade. O vice-primeiro-ministro russo assegurou que Moscou segue decidida a manter sua participação no acordo junto com outros países, considerando-o uma ferramenta eficaz diante da atual emergência de oferta.
A situação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, permanece como o epicentro da instabilidade energética global enquanto perdurar a presença militar agressiva dos EUA na região. O desfecho da crise dependerá da capacidade de Teerã de sustentar sua posição soberana frente às pressões de Washington, que insiste em manter o bloqueio e as sanções como instrumentos de guerra econômica contra a República Islâmica.