Cientistas descobrem estrutura oculta gigantesca sob o gelo da Antártida

Ilustração editorial sobre Cientistas descobrem estrutura oculta gigantesca sob o gelo da Antártida. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou uma colossal estrutura geológica escondida sob o manto de gelo da Antártida Oriental, revelando uma conexão antes desconhecida entre algumas das maiores paisagens enterradas do continente. A descoberta, que redefine a compreensão da antiguidade tectônica antártica, foi publicada na revista Nature Geoscience.

A nova estrutura, batizada de Província de Bacias em Forma de Leque da Antártida Oriental, consiste em uma vasta rede de depressões ocultas sob camadas de gelo que, em alguns pontos, ultrapassam três quilômetros de espessura. Estas bacias formam um padrão radial de escala continental, assemelhando-se a um leque que se abre a partir de um ponto central fixo.

O achado, conforme detalhado em comunicado da Universidade de Durham, integra em um único sistema formações subglaciais que eram estudadas de forma isolada há décadas. Entre elas estão as bacias de Wilkes e Aurora, além da fossa que abriga o Lago Vostok, o maior lago subglacial conhecido do planeta.

Segundo os cientistas, a origem da estrutura remonta a um processo geológico denominado extensão rotacional distribuída. O fenômeno ocorre quando a crosta terrestre se estica e se afina gradualmente a partir de um eixo central, criando depressões triangulares similares aos espaços que se formam entre os dedos de uma mão quando eles se abrem.

Os pesquisadores acreditam que esta pode ser uma das maiores manifestações de extensão rotacional já registradas em crosta continental. O mecanismo teria atuado em múltiplos episódios tectônicos durante a formação e evolução do antigo supercontinente Gondwana, podendo inclusive ter influenciado a posterior separação entre a Antártida e a Austrália.

Liderado pelo Dr. Egidio Armadillo, da Universidade de Gênova, com suporte do Programa Nacional de Pesquisa Antártica da Itália, o estudo combinou uma gama sofisticada de dados. Foram utilizadas medições de topografia subglacial, gravidade, magnetismo, informações sísmicas e modelos da crosta e litosfera para mapear a cicatriz tectônica oculta.

O Dr. Guy Paxman, do Departamento de Geografia da Universidade de Durham e membro da equipe internacional, foi o responsável por calcular como seria o relevo da Antártida Oriental se todo o gelo desaparecesse. Com a remoção do peso colossal da cobertura de gelo, a rocha se elevaria em até um quilômetro, num processo conhecido como rebote isostático, o que permitiu uma análise precisa da elevação e orientação da estrutura.

A relevância da descoberta transcende a reconstrução do passado geológico do planeta. A forma do leito rochoso determina diretamente o fluxo do gelo na superfície, influenciando a localização de lagos e bacias subglaciais. Esta arquitetura oculta é um fator crítico para modelar a estabilidade de setores do manto de gelo antártico particularmente vulneráveis às mudanças climáticas.

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