Protótipo do maior radiotelescópio do mundo nos EUA capta primeira luz

Ilustração editorial sobre Protótipo do maior radiotelescópio do mundo nos EUA capta primeira luz. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O protótipo do next-generation Very Large Array (ngVLA), projeto ambicioso que pretende erguer o maior radiotelescópio do mundo na América do Norte, atingiu um marco decisivo ao captar sua primeira luz nos desertos do Novo México. O feito foi anunciado pelo Observatório Nacional de Radioastronomia da Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF NRAO), marcando a transição oficial da fase de construção para os testes astronômicos do instrumento.

A antena solitária, instalada no mesmo terreno que abriga o icônico Very Large Array (VLA) — popularizado pelo filme Contato —, realizou observações independentes do Sol, da Nebulosa do Caranguejo e de outras fontes celestes. Em seguida, trabalhou em colaboração direta com as 27 antenas do VLA original para observar Perseu A, um núcleo galáctico ativo situado a cerca de 230 milhões de anos-luz da Terra.

O diretor do NSF NRAO, Tony Beasley, classificou o evento como demonstração concreta do progresso da engenharia necessária para erguer a próxima grande instalação de radioastronomia dos Estados Unidos e do mundo. Segundo ele, o marco reflete a liderança e a expertise reunidas entre a equipe do observatório, seus contratados e a comunidade científica internacional.

Os cientistas Chris Carilli e Paul Demorest, que conduziram os testes, utilizaram o protótipo como a 28ª antena do VLA completo e relataram entusiasmo com o desempenho imediato do equipamento. Funcionou assim que saiu da caixa, comemorou Demorest, destacando que o dispositivo já é o elemento mais novo de um dos radiotelescópios mais poderosos do planeta.

A versão final do ngVLA terá proporções colossais: serão 244 antenas distribuídas por mais de 8.045 quilômetros na América do Norte, oferecendo uma área de coleta e resolução espacial dez vezes superiores às do VLA e do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). O projeto foi pensado para superar a sensibilidade dos instrumentos atuais nos mesmos comprimentos de onda e abrir novas frentes de investigação do céu em rádio.

De acordo com reportagem do portal Phys.org, o programa também movimentará a economia do Novo México com empregos na construção, postos operacionais de longo prazo, turismo e iniciativas de educação e divulgação científica. O NRAO está abrindo novos escritórios em Albuquerque e uma sede no Instituto de Mineração e Tecnologia do Novo México, em Socorro, para dar suporte à expansão.

Nigel Sharp, diretor de programa da NSF, afirmou que a antena protótipo se mostrará útil para uma ampla gama de projetos por oferecer alta precisão a um custo relativamente baixo. Sharp acrescentou que o sucesso tecnológico do ngVLA poderá gerar benefícios para outros campos da ciência e até mesmo viabilizar novas aplicações comerciais.

Nos próximos meses, os engenheiros do NSF NRAO realizarão testes adicionais e a calibração fina da mecânica do protótipo, enquanto os cientistas planejam as próximas campanhas de observação. O projeto se consolida como peça central da radioastronomia global para as próximas décadas.

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