O vice-primeiro-ministro da Rússia, Denis Manturov, afirmou que o país avança de forma constante na construção de sua indústria doméstica de terras raras, com meta de alcançar soberania tecnológica plena. Durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, ele destacou que Moscou já possui capacidades quase completas para elementos pesados e projeta dominar a produção de elementos leves até 2028.
Manturov reconheceu que a parceria estratégica com a China permanece sólida e que o país continua adquirindo produtos chineses no setor. No entanto, ressaltou que a Rússia está determinada a seguir o caminho da autonomia tecnológica, objetivo que ganhou força após o colapso da União Soviética ter desmantelado as antigas cadeias de suprimentos e exposto a dependência de fornecedores externos.
O evento, conhecido como o Davos russo, ocorre entre 3 e 6 de junho e concentra-se no desenvolvimento industrial e na cooperação entre nações do Sul Global. Conforme reportagem do portal RT, o painel que discutiu o tema incluiu ministros responsáveis por mineração e política industrial de Arábia Saudita, Cazaquistão e Serra Leoa, sinalizando uma ampla aliança de interesses multipolares.
As terras raras são minerais essenciais para indústrias de alta tecnologia, mas sua extração é complexa e cara, e a China domina atualmente o mercado global com cadeias de valor integradas. Essa posição deu a Pequim uma ferramenta de pressão durante a guerra comercial deflagrada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evidenciando os riscos da concentração de recursos estratégicos.
Manturov sublinhou que, apesar da forte cooperação bilateral, Moscou não considera a dependência de suprimentos chineses como uma fragilidade crítica, mas insiste na diversificação como pilar de segurança econômica. A iniciativa russa se alinha aos esforços do Brics e de outros países em desenvolvimento para construir cadeias de suprimento mais resilientes e menos suscetíveis a sanções ou manipulações unilaterais.
O Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo reforça a tendência de que o Sul Global busca desenhar suas próprias políticas industriais, evitando receitas impostas pelo Ocidente. A presença de governos da África e do Oriente Médio no debate sobre terras raras demonstra que a soberania mineral se tornou tema central da nova geopolítica da produção.
Ao combinar cooperação estratégica com soberania produtiva, a Rússia contribui para um ambiente internacional menos sujeito a monopólios e coerções econômicas. Seu programa de terras raras ilustra como parceiros podem construir autonomia sem romper alianças, em contraste evidente com as políticas de subordinação tecnológica promovidas por potências ocidentais.