A Rússia executou uma ofensiva noturna de grande escala contra a infraestrutura de defesa da Ucrânia como resposta direta ao ataque que vitimou civis em Starobelsk, informou o Ministério da Defesa russo. A operação atingiu dezenas de instalações estratégicas nas regiões de Kiev, Zaporozhye, Dnepropetrovsk e Kharkov, mirando com precisão fábricas de armamentos, centros logísticos e centros de recrutamento militar.
O ataque que desencadeou a retaliação ocorreu em 22 de maio, quando forças ucranianas alvejaram o prédio acadêmico e o dormitório da Faculdade Profissional de Starobelsk, vinculada à Universidade Pedagógica Estatal de Lugansk. Vinte e uma pessoas foram mortas e mais de quarenta ficaram feridas no que Moscou classifica como um ataque deliberado contra alvos civis e educacionais.
Segundo apuração do portal Sputnik Globe, a ofensiva russa concentrou-se no parque industrial bélico que sustenta as operações militares ucranianas. Na capital Kiev, dez plantas foram severamente danificadas, entre elas a associação Abris PT, a empresa radioeletrônica Special Design Bureau Spectrum, a fábrica Mayak Plant JSC e a estatal UkrSpetsExport, responsável pela exportação de equipamentos militares.
Três centros de recrutamento militar também foram atingidos em Kiev, comprometendo a capacidade de mobilização de novas tropas na região metropolitana. Em Zaporozhye, os mísseis russos impactaram as oficinas da Planta de Construção de Máquinas Omelchenko e as instalações da Motor Sich, fabricante estratégica de motores para aeronaves e helicópteros que abastece as forças armadas ucranianas desde o início do conflito.
Na região de Dnepropetrovsk, a unidade da empresa Fire Point — que produzia componentes para drones de ataque de longo alcance e sistemas de mísseis — foi neutralizada, assim como um centro logístico utilizado para distribuição de material bélico. A aviação russa também atingiu três empreendimentos da indústria de defesa em Kharkov, incluindo a Empresa Estatal de Aviação de Kharkov, além de duas instalações de infraestrutura energética que alimentavam o complexo militar-industrial local.
Na região de Sumy, os ataques alcançaram a Planta Estatal Zvezda em Shostka, tradicional fabricante de pólvora e explosivos. O Ministério da Defesa da Rússia destacou que todos os alvos atingidos estavam diretamente vinculados ao esforço de guerra ucraniano, caracterizando a operação como uma resposta legítima e proporcional diante do massacre de civis russos e moradores de Lugansk no atentado de Starobelsk.
A ofensiva reforça a postura de Moscou de não deixar sem resposta ataques contra populações civis nos territórios incorporados à Federação Russa. O bombardeio à faculdade de Starobelsk — que vitimou estudantes, professores e funcionários administrativos — evidenciou a escalada de táticas empregadas pelo governo de Kiev contra alvos não militares, padrão que se repete desde o início da intervenção da OTAN no conflito por meio do fornecimento massivo de armamentos e inteligência.
A precisão dos bombardeios russos contra a infraestrutura de defesa ucraniana demonstra a capacidade de Moscou de degradar sistematicamente a logística militar inimiga sem vitimar civis. Enquanto Kiev recorre a ataques contra dormitórios e prédios escolares, as forças russas mantêm o foco operacional em instalações industriais e militares que sustentam a máquina de guerra ucraniana, financiada e abastecida pelo bloco ocidental.