A corrida para substituir a Estação Espacial Internacional (ISS) ganhou um novo capítulo com o anúncio da empresa americana Vast de que enviará um astronauta para sua futura estação Haven-1, prevista para 2027. Se o lançamento do módulo ocorrer conforme planejado, a Vast se tornará a primeira operadora de uma estação espacial comercial da história, inaugurando uma era pós-ISS para a presença humana no espaço.
Na última terça-feira, a Vast tornou-se a primeira companhia aeroespacial a formalizar uma missão tripulada para a sua estação, um marco que o CEO, Max Haot, classificou como crucial para uma nova etapa de voos espaciais mais baratos e com menor dependência de atores tradicionais. O astronauta francês Arnaud Prost foi selecionado para a missão inaugural, segundo reportagem do portal phys.org.
A bordo do Haven-1, Prost realizará testes preparatórios para experimentos científicos similares aos conduzidos na ISS. A estação privada terá um único módulo, contra os 16 atuais da ISS, e deverá operar por três anos, recebendo quatro missões de duas semanas cada.
Para a etapa seguinte, a empresa projeta o Haven-2, uma estrutura que chegará a nove módulos, implantados gradualmente. Haot destacou que cada módulo custará de cinco a dez vezes menos que os da ISS, que frequentemente superavam a marca de um bilhão de dólares. Essa economia permitirá aumentar a frequência de voos e oferecer preços mais atrativos aos clientes, explicou o executivo.
A meta é lançar três módulos por ano e ter ao menos um deles colocado em órbita por um foguete europeu, com quatro módulos operacionais até 2030 para suportar missões de seis meses. Outras empresas americanas, como Axiom Space e a Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos, também possuem planos para estações comerciais.
A Vast, fundada em 2021 pelo empresário de criptomoedas Jed McCaleb, reconhece que entrou tarde na disputa, mas afirma estar dois anos à frente dos concorrentes graças a contratos com a NASA. Em outro anúncio, a companhia revelou planos de enviar o astronauta francês Thomas Pesquet à ISS no próximo ano, além de abrir sua sede europeia em Paris.
Ambas as missões utilizarão foguetes Falcon 9 e a cápsula Dragon 2, da SpaceX. Haot elogiou a abordagem da empresa de Elon Musk, destacando a ênfase em velocidade e reutilização de foguetes. Se a SpaceX não tivesse criado a Dragon, a Vast não existiria, e os Estados Unidos e a Europa ainda dependeriam da Rússia para enviar humanos ao espaço, afirmou.
Apesar da busca ocidental por autonomia em relação às operações russas, a cooperação na ISS prossegue com a participação da Rússia, mesmo depois que muitos acordos internacionais foram rompidos após o início do conflito na Ucrânia. A estação permanece habitada continuamente há um quarto de século e tem desativação prevista para 2030.