O jato experimental X-59 da NASA ultrapassou a barreira do som pela primeira vez, marcando um avanço crucial para a aviação supersônica comercial após mais de cinco décadas de proibição nos Estados Unidos. A aeronave decolou da Base Aérea Edwards, na Califórnia, às 14h08 no horário local, com o piloto de testes da NASA Jim ‘Clue’ Less nos comandos.
O voo durou 81 minutos e atingiu altitude máxima de 13.228 metros, alcançando velocidade de 1.147 km/h, o equivalente a Mach 1,1. O feito ocorre mais de seis meses após o primeiro voo da aeronave, realizado em outubro de 2025.
O X-59 é a peça central do programa Quesst da NASA e foi construído pela divisão Skunk Works da Lockheed Martin. Diferentemente dos jatos supersônicos convencionais, que produzem estrondos violentos ao romper a barreira do som, a aeronave foi projetada para gerar um baque suave, perceptível no solo como um mero impacto abafado.
O assistente do presidente dos EUA para ciência e tecnologia e diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica, Michael Kratsios, celebrou o resultado classificando-o como um testemunho da liderança dos Estados Unidos em ciência, engenharia e inovação aeroespacial. O administrador da NASA, Jared Isaacman, destacou o ritmo intenso de testes, com 16 voos realizados nos últimos 90 dias.
A equipe do X-59 planeja agora um novo voo em condições de missão, mirando Mach 1,4 e altitude de cerca de 16.764 metros nos próximos dias. Esses parâmetros serão a base para a fase seguinte do programa, quando o jato sobrevoará comunidades americanas para que a NASA colete dados sobre como as pessoas percebem o impacto sonoro.
A agência espacial americana pretende compartilhar essas informações com reguladores dos EUA e de outros países para estabelecer novos padrões de ruído baseados em dados, abrindo caminho para um mercado viável de voos supersônicos comerciais sobre áreas continentais. Esse mercado foi proibido em 1973, quando a Administração Federal de Aviação vetou os voos supersônicos civis sobre terra firme para proteger pessoas e propriedades dos estrondos sônicos.
O programa representa uma tentativa de reverter um atraso regulatório que sufocou o desenvolvimento da aviação supersônica civil enquanto outras tecnologias avançavam. Caso os testes sejam bem-sucedidos, a retomada dos voos supersônicos poderá encurtar drasticamente o tempo de deslocamento entre continentes, beneficiando rotas ligando países em desenvolvimento aos grandes centros econômicos mundiais.