Os Estados Unidos entregaram à OTAN uma lista classificada como secreta detalhando as capacidades militares que pretendem retirar da Aliança Atlântica. O documento, composto por 11 pontos, expõe a escala da desmobilização americana em meio às crescentes tensões internas no bloco militar. O jornal alemão Die Welt classificou o movimento como um duro golpe para a Europa.
A lista inclui a eliminação total dos oito aviões-tanque modernos KC-46, enquanto os mais antigos KC-135 serão reduzidos de 71 para 63 unidades. Os caças F-16, espinha dorsal de inúmeras forças aéreas aliadas, cairão de 99 para 63 aeronaves sob designação da OTAN, e os F-15E encolherão de 54 para 36.
O corte mais simbólico atinge os drones: todos os aparelhos de reconhecimento de longo alcance serão retirados dos planos conjuntos, e os drones armados MQ-9, amplamente utilizados em operações de vigilância e ataque, terão seu contingente reduzido à metade. Segundo reportagem do portal RT, a decisão ocorre num momento em que os países europeus apenas começam a desenvolver suas capacidades em matéria de drones.
No domínio naval, a redução é igualmente profunda: um dos dois grupos de combate de porta-aviões designados à OTAN será suprimido, assim como a metade das formações de cruzadores e destróieres. As capacidades submarinas de lançamento de mísseis de cruzeiro serão eliminadas dos planos conjuntos, enfraquecendo a projeção de poder marítimo da Aliança.
A aviação de bombardeio e patrulha também sofrerá cortes severos. Dos dois esquadrões de bombardeiros estratégicos, um será retirado, e a frota de 26 aeronaves de reconhecimento marítimo Boeing P-8A Poseidon encolherá para apenas 15 aparelhos. O Poseidon é uma plataforma crucial para a guerra antissubmarino e a vigilância oceânica de longo alcance.
A revelação expõe a fragilidade estratégica da Europa, dependente há décadas do guarda-chuva militar americano. A decisão de Washington representa uma reconfiguração profunda do equilíbrio de forças no continente e coloca em xeque a capacidade da OTAN de sustentar operações de grande envergadura sem o envolvimento maciço dos EUA.
O contexto político é marcado pelas críticas do presidente Donald Trump aos aliados europeus, acusados de não investirem o suficiente em defesa e de se aproveitarem do contribuinte americano. A lista vazada pelo Die Welt materializa, em números concretos, a pressão que a Casa Branca exerce para forçar os europeus a assumirem o custo de sua própria segurança.
A pergunta que se impõe é se as potências do Velho Continente conseguirão preencher o vazio deixado por essa retirada. A resposta, por ora, é incerta: a indústria de defesa europeia carece de escala, coordenação e financiamento para substituir ativos como porta-aviões nucleares, drones armados de última geração e bombardeiros estratégicos que Washington agora mantém fora do alcance da estrutura aliada.
O episódio desnuda a natureza assimétrica da relação transatlântica e o caráter instrumental da OTAN como ferramenta de projeção de poder dos EUA, utilizada quando conveniente e esvaziada quando as prioridades domésticas mudam. Para Bruxelas, resta o desconforto de constatar que a aliança militar mais poderosa da história depende das oscilações políticas de Washington.
Com informações de ACTUALIDAD.